E o Cliente se Esqueceu....
As empresas esqueceram pra que servem as agências
Acho que um dos maiores prejuízos pro trabalho das agências de comunicação e para as empresas que fazem uso delas, acontece devido ao esquecimento. Me parece que as empresas esqueceram que comunicar com qualidade envolve um pensamento complexo, treinado para pensar uma grande quantidade de variáveis sutis.
As agências eram contratadas para ajudar os clientes a dizerem aquilo que eles queriam dizer da melhor forma possível. Muito tempo de interassão com o cliente era gasto para oferecer aos comunicadores um entendimento profundo do que ele queria dizer. Depois, os comunicadores traduziam isto da maneira como a mensagem melhor levaria o público a compreender o que o cliente desejava dizer.
Hoje as empresas esqueceram-se disso. Nao interagem com os comunicadores para fazer-se entende em profundidade. Interagem com pressa e com ordens diretas. Jogam os problemas no colo das agências sem se diponibilizarem para discuti-los. Não querem escutar da agência o porque da abordagem proposta. Querem apenas dar suas opiniões diretivas, muitas vezes (na maioria) furadas quanto à estratégia de comunicação. Transformam as agências em executores e, com isso, empobrecem o processo e o resultado em toda a cadeia. Triste.
O mais importante aspecto do trabalho das agências deve ser a contrução conjunta do discurso e da estratégia. Mas esta parte foi deixada e lado. Se as empresas soubessem a melhor forma de dizer o que querem dizer, as agências jamais teriam nascido. E agora, esquecem-se disso.
Monday, August 16, 2010
Thursday, August 12, 2010
Agora Eu Quero
Eu quero acalmar a alma até o ponto em que ela não me atormente como um fervilhar de apertos no estômago, mas não quero perder o fervor da alma que dá frio na barriga e medo, pois sem isto ela não estaria calma, mas morta. E jamais poderia morrer a alma, poderia?
Eu quero aplacar a ansiedade para que ela não mais consuma meu ser a cada segundo me impedindo de viver o presente em tudo o que ele tem a oferecer. Mas não quero aplacá-la a ponto de conformar-me tanto com o momento a perder a vontade de algo mais que agora não é e, portanto, poderia ser apenas no futuro.
Quero deixar ir a raiva que me faz reagir como não gostaria de ter reagido no momento seguinte, mas não quero perder a raiva que me permite ser menos do que correto por vezes, assegurando meu direito a ser honrado, respeitado e, às vezes, o simples direito a estar errado, bolas! Por que não?
Quero vencer o cansaço que me derruba na cama e me impede de levantar. Me derrota no sofá ou, por vezes, me deixa jogado onde não queria estar, se força pra me movimentar. Mas não quero vencer o cansaço que me obriga a descansar e me joga no profundo sono que me permite sonhar.
Quero fazer sumir a hipocrisia que me irrita ao meu redor de forma que elimine a incoerência por intenção e a mentira por desvergonha! Mas não quero deixá-la sumir a ponto de que não possa eu, um dia desses, experimentar ser também hipócrita.
Eu quero fazer sumir a fraqueza que não me permite vencer sempre e a falta de poder que não me deixa tornar o mundo o que eu quero que ele seja. Mas não quero trocá-la por tão poderoso poder, a ponto de poder tudo. Pois se com ele viesse o real poder de poder mudar o mundo, não saberia eu concertar o que acho imundo.
Com o poder na mão de gerar a perfeição, não saberia de forma alguma como ela realmente aparenta, pois a perfeição definida por um achar apenas, nada mais é que uma ditadura de ilusão. Pois nada mais é a perfeição do que uma ditadura da ilusão.
Eu quero acalmar a alma até o ponto em que ela não me atormente como um fervilhar de apertos no estômago, mas não quero perder o fervor da alma que dá frio na barriga e medo, pois sem isto ela não estaria calma, mas morta. E jamais poderia morrer a alma, poderia?
Eu quero aplacar a ansiedade para que ela não mais consuma meu ser a cada segundo me impedindo de viver o presente em tudo o que ele tem a oferecer. Mas não quero aplacá-la a ponto de conformar-me tanto com o momento a perder a vontade de algo mais que agora não é e, portanto, poderia ser apenas no futuro.
Quero deixar ir a raiva que me faz reagir como não gostaria de ter reagido no momento seguinte, mas não quero perder a raiva que me permite ser menos do que correto por vezes, assegurando meu direito a ser honrado, respeitado e, às vezes, o simples direito a estar errado, bolas! Por que não?
Quero vencer o cansaço que me derruba na cama e me impede de levantar. Me derrota no sofá ou, por vezes, me deixa jogado onde não queria estar, se força pra me movimentar. Mas não quero vencer o cansaço que me obriga a descansar e me joga no profundo sono que me permite sonhar.
Quero fazer sumir a hipocrisia que me irrita ao meu redor de forma que elimine a incoerência por intenção e a mentira por desvergonha! Mas não quero deixá-la sumir a ponto de que não possa eu, um dia desses, experimentar ser também hipócrita.
Eu quero fazer sumir a fraqueza que não me permite vencer sempre e a falta de poder que não me deixa tornar o mundo o que eu quero que ele seja. Mas não quero trocá-la por tão poderoso poder, a ponto de poder tudo. Pois se com ele viesse o real poder de poder mudar o mundo, não saberia eu concertar o que acho imundo.
Com o poder na mão de gerar a perfeição, não saberia de forma alguma como ela realmente aparenta, pois a perfeição definida por um achar apenas, nada mais é que uma ditadura de ilusão. Pois nada mais é a perfeição do que uma ditadura da ilusão.
A verdade e a Arte
Publicado dia 6 de agosto de 2010 no site www.itu.com.br
Outro dia conheci um grande cara. Aliás, literalmente grande. Lá, do alto dos seus dois metros, ele me disse algo que vem reverberando em mim desde então. Expansivo, engraçado e inteligente, meu caro amigo disse despretencioso: “ Hoje posso ter o carro que eu quiser, a casa que eu quiser, a roupa que eu quiser, a viagem que eu quiser...mas sempre vai faltar alguma coisa, e esta coisa é o dom artístico.”
Que fascínio exerce o artista? O artista não é o que se diz artista, nem mesmo o que vive de sua arte. Estes podem ser artistas, mas não necessariamente o são. Pois o que define o artista não é produzir o que o mundo convencionou chamar arte, pois os artistas nada tem a ver com as convenções. Os artistas vivem o compromisso com sua própria necessidade de expressar-se. E o fazem. O fazem das mais vairadas formas. Formas aprendidas ou criadas, mas, para eles, elas são apenas ferramentas para que possam externalizar seu interior fervente e pulsante. Manifestam para que não explodam e, por vezes, há tanto a ser expressado que mesmo fazendo-o, enlouquecem, como enlouqueceram tantos gênios da arte, e seguirão enluquecendo, pois sua loucura ér uma manifestação de sua maravilhosa sanidade. Porque a sanidade jamais é completa, em ninguém. Não para sempre. No verdadeiro artista a loucura dança o tempo todo ao seu redor e sua arte o mantém no delicado equilíbrio de seu papel no mundo. A arte não tem compromisso algum com a sanidade. Ela não se importa com o que chamamos são, e nem mesmo com o que chamamos louco.
O que nos fascina sobre eles? O que nos fascina é que eles, os verdadeiros artistas, aqueles que não importam serem chamados gênios ou loucos, não expressam a si próprios, pois seu interior não ferve com suas próprias agruras, mas sim com as agruras do mundo ao seu redor que o artista, na sua incrível sensibilidade, capta e expressa. O artista expressa e nós seguimos tentando explicar sua obra inconformados por senti-la sem compreender. Nossas explicações são, para o verdadeiro artista, desimportantes e profundamente desinteressantes, pois o artista ao executar sua obra já aliviou sua alma. O resto é com aqueles, que como eu e meu grande amigo, ficaremos embasbacados admirando e sentindo-nos tocados por aquilo, pois aquilo me toca. Aquela música, aquela pintura ou aquela manifestação que não sei nominar e, talvez, jamais saberei, me toca profundamente e me faz lembrar que eu estou vivo e tenho uma alma e que, principalmente, esta alma também está viva. O artista nos toca sem pretender ou almejar fazê-lo. Como pode ele acessar minha alma se eu mesmo não consigo fazê-lo? Esta despretenção talentosa de nos tocar nos intriga, pois nós, em nossas complexas contruções de poder, parecemos ao artista, insignificantes. E esta insignificância nos incomoda por sabermos ser ela profundamente verdaderia. E nada, nada nos implusiona a discordar e negar tanto quanto as nossas verdades profundas. Um beijo a meus amigos artistas que, por benção desmerecida, tenho tantos.
Publicado dia 6 de agosto de 2010 no site www.itu.com.br
Outro dia conheci um grande cara. Aliás, literalmente grande. Lá, do alto dos seus dois metros, ele me disse algo que vem reverberando em mim desde então. Expansivo, engraçado e inteligente, meu caro amigo disse despretencioso: “ Hoje posso ter o carro que eu quiser, a casa que eu quiser, a roupa que eu quiser, a viagem que eu quiser...mas sempre vai faltar alguma coisa, e esta coisa é o dom artístico.”
Que fascínio exerce o artista? O artista não é o que se diz artista, nem mesmo o que vive de sua arte. Estes podem ser artistas, mas não necessariamente o são. Pois o que define o artista não é produzir o que o mundo convencionou chamar arte, pois os artistas nada tem a ver com as convenções. Os artistas vivem o compromisso com sua própria necessidade de expressar-se. E o fazem. O fazem das mais vairadas formas. Formas aprendidas ou criadas, mas, para eles, elas são apenas ferramentas para que possam externalizar seu interior fervente e pulsante. Manifestam para que não explodam e, por vezes, há tanto a ser expressado que mesmo fazendo-o, enlouquecem, como enlouqueceram tantos gênios da arte, e seguirão enluquecendo, pois sua loucura ér uma manifestação de sua maravilhosa sanidade. Porque a sanidade jamais é completa, em ninguém. Não para sempre. No verdadeiro artista a loucura dança o tempo todo ao seu redor e sua arte o mantém no delicado equilíbrio de seu papel no mundo. A arte não tem compromisso algum com a sanidade. Ela não se importa com o que chamamos são, e nem mesmo com o que chamamos louco.
O que nos fascina sobre eles? O que nos fascina é que eles, os verdadeiros artistas, aqueles que não importam serem chamados gênios ou loucos, não expressam a si próprios, pois seu interior não ferve com suas próprias agruras, mas sim com as agruras do mundo ao seu redor que o artista, na sua incrível sensibilidade, capta e expressa. O artista expressa e nós seguimos tentando explicar sua obra inconformados por senti-la sem compreender. Nossas explicações são, para o verdadeiro artista, desimportantes e profundamente desinteressantes, pois o artista ao executar sua obra já aliviou sua alma. O resto é com aqueles, que como eu e meu grande amigo, ficaremos embasbacados admirando e sentindo-nos tocados por aquilo, pois aquilo me toca. Aquela música, aquela pintura ou aquela manifestação que não sei nominar e, talvez, jamais saberei, me toca profundamente e me faz lembrar que eu estou vivo e tenho uma alma e que, principalmente, esta alma também está viva. O artista nos toca sem pretender ou almejar fazê-lo. Como pode ele acessar minha alma se eu mesmo não consigo fazê-lo? Esta despretenção talentosa de nos tocar nos intriga, pois nós, em nossas complexas contruções de poder, parecemos ao artista, insignificantes. E esta insignificância nos incomoda por sabermos ser ela profundamente verdaderia. E nada, nada nos implusiona a discordar e negar tanto quanto as nossas verdades profundas. Um beijo a meus amigos artistas que, por benção desmerecida, tenho tantos.
Wednesday, August 11, 2010
Nem Tudo Pode ser Prioridade
Brincadeira Política, minha opinião ...ou desabafo
Cada vez que escutoalguémquestionando um candidato ele responde: Isso será prioridade no meu governo!
O que isso quer dizer? Eu não sei. Tô esperando algum candidato responder: “Frente a todos os problemas do país e aos recursos limitados, considerando as dificuldades imensas que enfrentaremos, nãopretendo direcionar este tema como prioridade.”
Tenho a sensaçãode que eu adoraria ouvir isto. A prepotência me assusta um pouco nos nossos candidatos. Será que eles não sabem que não poderão resolver tudo? Ou será que somos nós mesmos que preferimos uma postura política infantil, ou melhor, imatura, e ainda queremos que o Governo resolva tudo de maneira messiânica? Temos um pouco deste jeito de criança politicamente. Queremos que o Estado resolva os problemas do país, mas não atuamos como sociedade que contribua para isto. Claro que a sociedade se mobiliza criando ONGs e afins, montando iniciativas importantes. Mas esta é apenas uma instância da organização da sociedade. Há uma instância praticamente abandonada no país: a cobrança séria que a sociedade deve fazer sobre o Governo. Precisamos cobrar o Estado. Há organizações que podem nos ajudar a fazer isto, mas não damos a elas atenção suficiente. A imprensa também atua de forma pouco madura politicamente. Não incentiva fortemente a sociedade a este amadurecimento e não exerce com dedicação o seu papel educador. Sucumbe com facilidade a assuntos novos que levantem a audiência e, em alguns casos, sucumbem ao pedido regado a pressão política.
Fazemos humor de nossa imoralidade política. Ohumor tem alto poder de catarse e consegue expôr temas difícies. Mas ele é pouco transformador, pois carrega certo conformismo que, na minha opinião, já não temos mais direito de aceitar. Acho que a graça acabou.
Não busco um candidato que tenha tudo em suas prioridades. Busco um candidato com puquíssimas prioridades. O número que possa ser abraçado realmente, e queme explique porque e como estas prioridades atuarão na transformação e na melhora deste país.
Brincadeira Política, minha opinião ...ou desabafo
Cada vez que escutoalguémquestionando um candidato ele responde: Isso será prioridade no meu governo!
O que isso quer dizer? Eu não sei. Tô esperando algum candidato responder: “Frente a todos os problemas do país e aos recursos limitados, considerando as dificuldades imensas que enfrentaremos, nãopretendo direcionar este tema como prioridade.”
Tenho a sensaçãode que eu adoraria ouvir isto. A prepotência me assusta um pouco nos nossos candidatos. Será que eles não sabem que não poderão resolver tudo? Ou será que somos nós mesmos que preferimos uma postura política infantil, ou melhor, imatura, e ainda queremos que o Governo resolva tudo de maneira messiânica? Temos um pouco deste jeito de criança politicamente. Queremos que o Estado resolva os problemas do país, mas não atuamos como sociedade que contribua para isto. Claro que a sociedade se mobiliza criando ONGs e afins, montando iniciativas importantes. Mas esta é apenas uma instância da organização da sociedade. Há uma instância praticamente abandonada no país: a cobrança séria que a sociedade deve fazer sobre o Governo. Precisamos cobrar o Estado. Há organizações que podem nos ajudar a fazer isto, mas não damos a elas atenção suficiente. A imprensa também atua de forma pouco madura politicamente. Não incentiva fortemente a sociedade a este amadurecimento e não exerce com dedicação o seu papel educador. Sucumbe com facilidade a assuntos novos que levantem a audiência e, em alguns casos, sucumbem ao pedido regado a pressão política.
Fazemos humor de nossa imoralidade política. Ohumor tem alto poder de catarse e consegue expôr temas difícies. Mas ele é pouco transformador, pois carrega certo conformismo que, na minha opinião, já não temos mais direito de aceitar. Acho que a graça acabou.
Não busco um candidato que tenha tudo em suas prioridades. Busco um candidato com puquíssimas prioridades. O número que possa ser abraçado realmente, e queme explique porque e como estas prioridades atuarão na transformação e na melhora deste país.
Thursday, August 05, 2010
A Dimensão do Indivíduo
um pequenino fragmento do novo livro que, por hora, é um pequeno embrião.
um pequenino fragmento do novo livro que, por hora, é um pequeno embrião.
Cada um de nós, em nossa individualidade ,é uma parte e um todo. Somos uma célula num organismo maior. Uma célula fundamental. Uma célula que carrega em si todo o planeta e, com isso, forma sua individualidade a partir de como se insere neste todo. Quanto mais formos capazes de exercitar nossa percepção de que estamos conectados, melhor poderemos influenciar o todo, e mais profunda será nossa conexão. Agredir o próximo também me agride. Quando agredimos alguém, saímos dessa situação com um sentimento de agressividade, mesmo que tenhamos sucumbido o outro, não saímos com um sentimento bom, de amor. Todos nós estamos sujeitos a explosões de paciência que nos levarão a agredir. Mas esta agressão afetará também a mim de maneira ruim, ao passo que o contrário também será verdadeiro. Tratar alguém com amor fará com que o meu sentimento seja de amor. Internamente terei incentivado uma energia de melhor qualidade e potencializado em mim um sentimento bom.
Um crime bárbaro do outro lado do mundo pode não me afetar aparentemente. Mas afetará, ainda que a cadeira para que isto aconteça seja imperceptível, como falamos anteriormente. Não é uma relação direta, mas esta agressão afeta a minha vida. Muito ou pouco. Perceptível ou não.
Praticar a consciência da unicidade individualmente é um exercício de transformação. O caminho é manter sua consciência ampliada e lembrar que você será afetado por tudo. Um papel jogado no chão a uma agressão no trânsito. Você é um agente que pode ser vítima, mas também é causador de tudo que está ao seu redor. Seja um agente positivo desta transformação.
Um crime bárbaro do outro lado do mundo pode não me afetar aparentemente. Mas afetará, ainda que a cadeira para que isto aconteça seja imperceptível, como falamos anteriormente. Não é uma relação direta, mas esta agressão afeta a minha vida. Muito ou pouco. Perceptível ou não.
Praticar a consciência da unicidade individualmente é um exercício de transformação. O caminho é manter sua consciência ampliada e lembrar que você será afetado por tudo. Um papel jogado no chão a uma agressão no trânsito. Você é um agente que pode ser vítima, mas também é causador de tudo que está ao seu redor. Seja um agente positivo desta transformação.
O Enigma da Esfinge
Na Grécia antiga a educação dava-se através dos mitos e das histórias de deuses e suas relações com mortais e monstros. Uma delas conta sobre o Oráculo de Delfos, onde era possível consultar-se com a sacerdotisa Pitonisa, porta-voz da sabedoria de Apolo, deus da luz e das profecias.
Segundo a mitologia, o Oráculo de Delfus apresentava a quem se consultava, o Enigma da Esfinge e por isso há uma estátua da esfinge no templo de Apolo. A imagem tem uma cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia, representações da inteligência do pensar, da coragem do leão e das asas que permitem a elevação espiritual. A palavra esfinge significa apertar a garganta, sufocar. Aquele que decifrasse o enigma sobreviveria, aquele que não conseguisse desvendar sua charada morreria sufocado. A Esfinge dizia: “Decifra-me ou te devoro!”
O enigma da esfinge está composto de três perguntas:
Quem é você? De onde vem? E para onde vai?
Aquele que não souber as respostas para essas perguntas sufocará até a morte.
A representação do mito é profunda: Não conhecer a si mesmo é sufocante. Todo o segredo do Universo se resume a conhecer a si mesmo e buscar constantemente aprofundar este conhecimento.
Quando nos sentimos agredidos por alguém, tendemos a agredir o outro de volta, atribuindo a ele a ação que nos incomodou. O que nos incomodou realmente, porém, é algo que é nosso, não do outro. Ainda que despertado por ele.
Um grande amigo me ofereceu uma metáfora simples: Irritar-se é natural, mas atribuir ao outro a culpa é como se olhar no espelho, não gostar da imagem, e tentar mexer na imagem refletida para alterá-la. Não resolverá. O espelho apenas nos reflete e, para mudar o reflexo, teremos que mudar a nós mesmos”. Sem assumir isto tentaremos alterar a imagem no espelho, obviamente sem sucesso. Por fim, podemos acabar quebrando o espelho. A imagem irá desaparecer, mas a minha sensação de que a questão foi resolvida não passa de uma ilusão e a situação se repetirá no próximo espelho.
Precisamos compreender isto para olhar a esfinge nos olhos, ver a nós mesmos profundamente sem medo e sem sustos. O que mais nos assusta são as profundezas do nosso ser. É nesta escuridão, onde residem nossos medos e nossa fraqueza, que reside também a nossa maior força.
Na Grécia antiga a educação dava-se através dos mitos e das histórias de deuses e suas relações com mortais e monstros. Uma delas conta sobre o Oráculo de Delfos, onde era possível consultar-se com a sacerdotisa Pitonisa, porta-voz da sabedoria de Apolo, deus da luz e das profecias.
Segundo a mitologia, o Oráculo de Delfus apresentava a quem se consultava, o Enigma da Esfinge e por isso há uma estátua da esfinge no templo de Apolo. A imagem tem uma cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia, representações da inteligência do pensar, da coragem do leão e das asas que permitem a elevação espiritual. A palavra esfinge significa apertar a garganta, sufocar. Aquele que decifrasse o enigma sobreviveria, aquele que não conseguisse desvendar sua charada morreria sufocado. A Esfinge dizia: “Decifra-me ou te devoro!”
O enigma da esfinge está composto de três perguntas:
Quem é você? De onde vem? E para onde vai?
Aquele que não souber as respostas para essas perguntas sufocará até a morte.
A representação do mito é profunda: Não conhecer a si mesmo é sufocante. Todo o segredo do Universo se resume a conhecer a si mesmo e buscar constantemente aprofundar este conhecimento.
Quando nos sentimos agredidos por alguém, tendemos a agredir o outro de volta, atribuindo a ele a ação que nos incomodou. O que nos incomodou realmente, porém, é algo que é nosso, não do outro. Ainda que despertado por ele.
Um grande amigo me ofereceu uma metáfora simples: Irritar-se é natural, mas atribuir ao outro a culpa é como se olhar no espelho, não gostar da imagem, e tentar mexer na imagem refletida para alterá-la. Não resolverá. O espelho apenas nos reflete e, para mudar o reflexo, teremos que mudar a nós mesmos”. Sem assumir isto tentaremos alterar a imagem no espelho, obviamente sem sucesso. Por fim, podemos acabar quebrando o espelho. A imagem irá desaparecer, mas a minha sensação de que a questão foi resolvida não passa de uma ilusão e a situação se repetirá no próximo espelho.
Precisamos compreender isto para olhar a esfinge nos olhos, ver a nós mesmos profundamente sem medo e sem sustos. O que mais nos assusta são as profundezas do nosso ser. É nesta escuridão, onde residem nossos medos e nossa fraqueza, que reside também a nossa maior força.
Wednesday, August 04, 2010
Lula no Picadeiro Internacional
Mais uma do nosso presidente no seu populismo vergonhoso
Desculpem aqueles que acharem que estou sendo frio ou radical, mas não consigo ver bondade ou dignidade na intenção do presidente Lula.
Nosso caro presidente que me desculpemas seu modelo populista de agir, pra mim, fica muito perto da palhaçada de vez em quando.
Não chega o papelão que ele fez com aquele acordo fake que tentou dizer ter convencido o Irã a fazer, agora ta se enrolando ainda mais tentando arrumar a bagunça que fez com suas brincadeiras. Fosse meu filho já tava levando bronca e ficando de castigo, porque é isso que se faz com quem quer brincar do seu jeito, sem levar em consideração mais nada, espalha os brinquedos e depois não consegue arrumar a bagunça.
Aquele acordo mal feito e mal explicado com o Irã, que ele tentou usar de bandeira pra defender sua crença de que ele veio ao mundo para salvar as populações oprimidas e bobas, que na opinião dele, são todos os humanos menos ele, serviu de tiro no próprio pé. Lula vem recebendo uma lavada de críticas à sua postura e vem sendo questionado por seu apôio ao governo do Irã. Um Governo que não aceita os direitos da mulher, não tolera a prática de outras religiões, controla a atuação da imprensa, não reconhece o Estado de Israel e nem a existência do Holocausto. O que me faz pensar que, talvez, meus tios e primos não tenham morrido mesmo nos Campos Nazistas e estejam escondidos há sessenta anos vivendo nas Bahamas!!
Lula agora que dar azilo à pobre mulher que foi condenada à morte por adultério! Meu caro presidente, salvar esta mulher é usar vergonhosamente uma boa ação para esconder o significado de apoiar um governo que incentiva e pratica estas barbáries.
Lula, não seja infantil e desrspeitoso conosco! Você quer fazer algo a respeito? Anuncie o rompimento de relações com o Ahmadinejad, ou use as relações com ele para criticar o seu governo e tentar levar o Irã a uma estrutura democrática. Salve esta mulher, se puder, mas este não será uma grande feito seu. Será uma brincadeira desrespeitosa se você seguir apoiando este Governo. Pois o caso desta pobre moça não é isolado. É uma política de Estado.
A população iraniana tem uma grande massa de intelectuais e críticos sedentos por este apoio externo. Aproveite que o Brasil tem um canal de relações com o Irã para tentar, realmente, ajudar os iranianos que querem mais liberdade, ao invés de usar esta pobre viúva que transou com alguns homens pra alavancar sua popularidade! Que vergonha de você!
(A Notícia no Estadão)
(A Notícia na CNN)
Mais uma do nosso presidente no seu populismo vergonhoso
Desculpem aqueles que acharem que estou sendo frio ou radical, mas não consigo ver bondade ou dignidade na intenção do presidente Lula.
Nosso caro presidente que me desculpemas seu modelo populista de agir, pra mim, fica muito perto da palhaçada de vez em quando.
Não chega o papelão que ele fez com aquele acordo fake que tentou dizer ter convencido o Irã a fazer, agora ta se enrolando ainda mais tentando arrumar a bagunça que fez com suas brincadeiras. Fosse meu filho já tava levando bronca e ficando de castigo, porque é isso que se faz com quem quer brincar do seu jeito, sem levar em consideração mais nada, espalha os brinquedos e depois não consegue arrumar a bagunça.
Aquele acordo mal feito e mal explicado com o Irã, que ele tentou usar de bandeira pra defender sua crença de que ele veio ao mundo para salvar as populações oprimidas e bobas, que na opinião dele, são todos os humanos menos ele, serviu de tiro no próprio pé. Lula vem recebendo uma lavada de críticas à sua postura e vem sendo questionado por seu apôio ao governo do Irã. Um Governo que não aceita os direitos da mulher, não tolera a prática de outras religiões, controla a atuação da imprensa, não reconhece o Estado de Israel e nem a existência do Holocausto. O que me faz pensar que, talvez, meus tios e primos não tenham morrido mesmo nos Campos Nazistas e estejam escondidos há sessenta anos vivendo nas Bahamas!!
Lula agora que dar azilo à pobre mulher que foi condenada à morte por adultério! Meu caro presidente, salvar esta mulher é usar vergonhosamente uma boa ação para esconder o significado de apoiar um governo que incentiva e pratica estas barbáries.
Lula, não seja infantil e desrspeitoso conosco! Você quer fazer algo a respeito? Anuncie o rompimento de relações com o Ahmadinejad, ou use as relações com ele para criticar o seu governo e tentar levar o Irã a uma estrutura democrática. Salve esta mulher, se puder, mas este não será uma grande feito seu. Será uma brincadeira desrespeitosa se você seguir apoiando este Governo. Pois o caso desta pobre moça não é isolado. É uma política de Estado.
A população iraniana tem uma grande massa de intelectuais e críticos sedentos por este apoio externo. Aproveite que o Brasil tem um canal de relações com o Irã para tentar, realmente, ajudar os iranianos que querem mais liberdade, ao invés de usar esta pobre viúva que transou com alguns homens pra alavancar sua popularidade! Que vergonha de você!
(A Notícia no Estadão)
(A Notícia na CNN)
Tuesday, August 03, 2010
Os Olhos Sabem Melhor Que as Mãos (teatro)
Os Cegos foi um dos melhores espetáculos artísitcos que assisti nos últimos tempos. A peça é uma produção canadense que passeou pelo Brasil em julho. Fique atento pra ver se ela voltará! Uma sensibilidade fantástica traduzida em um texto divino em sua delicadeza e sabedoria. Não é algo para se assistir, é para ser experienciado. O espetáculo é uma rápida vivência. Não há muito a se dizer, pois tudo que li sobre ele me deu a sensação de invadir a minha relação com o espetáculo. A vivência de cada um nele é particular, A minha foi maravilhosa. As faces no escuro transmitem tamanha densidade de sentimentos e arrasatam o público a viver o que estão vivendo. Se tiver a oportunidade, vá!!
Ficha Técnica:
Colaboração artística: Stéphanie Jasmin
Realização vidéo: Pierre Laniel
Design sonoro: Nancy Tobin
Consultor para realização e montagem: Yves Labelle
Montagem de video: Michel Pétrin
Realização das máscaras: Claude Rodrigue
Maquiagem: Angelo Barsetti e Élaine Hamel
Diretor de produção: Gilbert Grondin
Pátina das máscaras: Valérie Delacroix
Ensaiador: Guillermina Kerwin
Categoria: Internacional
Nacionalidade: Canadá
Cidade: Montreal
Os Cegos foi um dos melhores espetáculos artísitcos que assisti nos últimos tempos. A peça é uma produção canadense que passeou pelo Brasil em julho. Fique atento pra ver se ela voltará! Uma sensibilidade fantástica traduzida em um texto divino em sua delicadeza e sabedoria. Não é algo para se assistir, é para ser experienciado. O espetáculo é uma rápida vivência. Não há muito a se dizer, pois tudo que li sobre ele me deu a sensação de invadir a minha relação com o espetáculo. A vivência de cada um nele é particular, A minha foi maravilhosa. As faces no escuro transmitem tamanha densidade de sentimentos e arrasatam o público a viver o que estão vivendo. Se tiver a oportunidade, vá!!
Ficha Técnica:
Colaboração artística: Stéphanie Jasmin
Realização vidéo: Pierre Laniel
Design sonoro: Nancy Tobin
Consultor para realização e montagem: Yves Labelle
Montagem de video: Michel Pétrin
Realização das máscaras: Claude Rodrigue
Maquiagem: Angelo Barsetti e Élaine Hamel
Diretor de produção: Gilbert Grondin
Pátina das máscaras: Valérie Delacroix
Ensaiador: Guillermina Kerwin
Categoria: Internacional
Nacionalidade: Canadá
Cidade: Montreal
Thursday, July 29, 2010
Thursday, July 15, 2010
Eu quero ser gay!
Sem mergulhar demais em como é ridícula nossa sociedade, ou pelo menos seu modelo mais clássico, acabei vendo o tema vir à minha mente frente à leve e feliz decisão da Argentina em aceitar os casamentos homosexuais.
Pra mim este negócios de definir homosexual ou heterosexual já representa uma fragmentação meio estranha. Acho que o que faz sentido é a atração e o amor. Se alguém está atraído por um homem, seja ele homem ou mulher, ok. Viva sua sensação e curta isto. Tem mulheres que se sentem atraídas por loiros, outras por morenos, outras por mulheres. Tem gente que curte muitas experiências e gente que curte monotonia. Tem gente que gosta de transar de luz acesa e gente que prefere o escuro.
Um dos maiores problemas da nossa sociedade, pra mim, é a mania que temos de achar que devemos determinar o que é bom e o que é ruim, e o que é certo ou errado. Quem medo é esse? Deixa rolar!
Esse parâmetro de certo e errado, muito forte na sociedade ocidental, pelo menos, ou principalemnte, do início do século XX até os anos 90, tornou as instituições sociais verdadeiras prisões. A espontaneidade foi assassinada e as pessoas se fragmentaram em vidas paralelas. Algumas reais outras imaginárias, ou algumas virtuais.
Por fim, a fragmentação era tanto que a palavra para definir os homosexuais, de gíria virou conceito, e no mundo inteiro virou “gay”. Gay, na real, quer dizer alegre! A espontaneidade foi tão violada que ser alegre virou sinônimo de assumir um papel marginalizado e considerado errado. Pois é assim que a sociedade clássica via, e ainda vê, os homosexuais. Essa alegria evidente, o corpo solto e a risada foram todos colocados no mesmo saco! Que sociedade ridícula! Chega, né?
Bom, eu gosto de ser alegre. Eu quero ser gay! Ao marginalizar os gays estamos marginalizando também o nosso direito à alegria e à espontaneidade...e se eu gosto de transar com mulheres, homens ou qualquer outra coisa, bom, isto só diz respeito a mim e àqueles com quem eu quiser dividir.
Sem mergulhar demais em como é ridícula nossa sociedade, ou pelo menos seu modelo mais clássico, acabei vendo o tema vir à minha mente frente à leve e feliz decisão da Argentina em aceitar os casamentos homosexuais.
Pra mim este negócios de definir homosexual ou heterosexual já representa uma fragmentação meio estranha. Acho que o que faz sentido é a atração e o amor. Se alguém está atraído por um homem, seja ele homem ou mulher, ok. Viva sua sensação e curta isto. Tem mulheres que se sentem atraídas por loiros, outras por morenos, outras por mulheres. Tem gente que curte muitas experiências e gente que curte monotonia. Tem gente que gosta de transar de luz acesa e gente que prefere o escuro.
Um dos maiores problemas da nossa sociedade, pra mim, é a mania que temos de achar que devemos determinar o que é bom e o que é ruim, e o que é certo ou errado. Quem medo é esse? Deixa rolar!
Esse parâmetro de certo e errado, muito forte na sociedade ocidental, pelo menos, ou principalemnte, do início do século XX até os anos 90, tornou as instituições sociais verdadeiras prisões. A espontaneidade foi assassinada e as pessoas se fragmentaram em vidas paralelas. Algumas reais outras imaginárias, ou algumas virtuais.
Por fim, a fragmentação era tanto que a palavra para definir os homosexuais, de gíria virou conceito, e no mundo inteiro virou “gay”. Gay, na real, quer dizer alegre! A espontaneidade foi tão violada que ser alegre virou sinônimo de assumir um papel marginalizado e considerado errado. Pois é assim que a sociedade clássica via, e ainda vê, os homosexuais. Essa alegria evidente, o corpo solto e a risada foram todos colocados no mesmo saco! Que sociedade ridícula! Chega, né?
Bom, eu gosto de ser alegre. Eu quero ser gay! Ao marginalizar os gays estamos marginalizando também o nosso direito à alegria e à espontaneidade...e se eu gosto de transar com mulheres, homens ou qualquer outra coisa, bom, isto só diz respeito a mim e àqueles com quem eu quiser dividir.
Tuesday, July 13, 2010
Monday, July 12, 2010
Estou com vergonha do lixeiro
Publicado na coluna do www.itu.com.br : Terça-feira, 27 de abril de 2010
não costumos postar aqui os artigos da coluna, mas este texto teve um índice altíssimos de leitura. Resolvi colocá-lo aqui também.
Hoje, em São Paulo, garis e lixeiros entraram em acordo e suspenderam a greve que estava marcada para começar nessa terça feira. Aceitaram o acordo proposto pelas empresas e ficaram com os 6,5% de reajuste proposto, contra os 8,71% pedidos. Lembrei que ontem à noite acordei com o barulho excessivo do caminhão de lixo. Na hora fiquei muito bravo. Pensei em formalizar uma reclamação. O barulho era mesmo absurdo.
Não sei porque, mas hoje, ao ver a notícia da greve me vi frente a frente com minha óbvia incoerência. Se ontem acordei com o barulho é porque algo foi pior que o habitual. O que tenho eu a dizer sobre os outros dias em que nada escuto. Vivo minha vida em minha confortável ilusão de equilíbrio e despejo os restos de minha folgada atividade no lixo. Tomo o cuidado mínimo de fazer uma coleta seletiva, mas me satisfaço com indiferença com o fato de que, no dia seguinte, milagrosamente o lixo terá ido embora. Nada de cascas de banana apodrecendo, comida velha juntando bichos, ou latas com resto de comida cheirando mal. Nem mesmo todo o trabalho que dá para reciclar o material que separei eu preciso ver.
Não acho que devamos começar a levar nosso próprio lixo ao aterro, pois para isto existem os profissionais. Pessoas devidamente equipadas, trabalhando para empresas devidamente preparadas para fazê-lo. Mas me dei conta que só percebo os queridos lixeiros quando me acordam no meio da noite ou quando atrapalham o trânsito em demasia. Andam em um caminhão gigante com luzes piscando e, ainda assim, conseguimos ignorá-los. Acho que jamais em minha vida dei bom dia, boa tarde ou mesmo agradeci a um lixeiro. Um dos nossos clientes é uma grande empresa que, entre outras coisas, trabalha com coleta de lixo. Soube que os lixeiros têm, em sua maioria, vergonha de sua profissão. Soube de um senhor que trabalha nisso há mais de dez anos e, feliz, conseguiu emprego para seu filho. O filho, após alguns meses, demitiu-se. Preferiu o desemprego. Me senti triste e envergonhado ao saber disso.
Como podemos, nós, deixar que se sintam assim? Humilhados? Justo eles que quase anjos são. Fazem desaparecer a nossa sujeira num piscar de olhos, correndo pendurados em seus caminhões e gritando sua eficiente comunicação. Sou tímido por natureza e por vezes pareço até mal educado. Mas minha timidez se torna, assim, um capricho que terei de superar, pois decidi que quero agradecer o meu lixeiro. Quero olhá-lo no olho e lidar com minha vergonha por, provavelmente, não ter jamais feito isto antes. É nossa sociedade que nos dissocializa.
Temos que mudar. Isto também é construir uma sociedade sustentável.
Publicado na coluna do www.itu.com.br : Terça-feira, 27 de abril de 2010
não costumos postar aqui os artigos da coluna, mas este texto teve um índice altíssimos de leitura. Resolvi colocá-lo aqui também.
Hoje, em São Paulo, garis e lixeiros entraram em acordo e suspenderam a greve que estava marcada para começar nessa terça feira. Aceitaram o acordo proposto pelas empresas e ficaram com os 6,5% de reajuste proposto, contra os 8,71% pedidos. Lembrei que ontem à noite acordei com o barulho excessivo do caminhão de lixo. Na hora fiquei muito bravo. Pensei em formalizar uma reclamação. O barulho era mesmo absurdo.
Não sei porque, mas hoje, ao ver a notícia da greve me vi frente a frente com minha óbvia incoerência. Se ontem acordei com o barulho é porque algo foi pior que o habitual. O que tenho eu a dizer sobre os outros dias em que nada escuto. Vivo minha vida em minha confortável ilusão de equilíbrio e despejo os restos de minha folgada atividade no lixo. Tomo o cuidado mínimo de fazer uma coleta seletiva, mas me satisfaço com indiferença com o fato de que, no dia seguinte, milagrosamente o lixo terá ido embora. Nada de cascas de banana apodrecendo, comida velha juntando bichos, ou latas com resto de comida cheirando mal. Nem mesmo todo o trabalho que dá para reciclar o material que separei eu preciso ver.
Não acho que devamos começar a levar nosso próprio lixo ao aterro, pois para isto existem os profissionais. Pessoas devidamente equipadas, trabalhando para empresas devidamente preparadas para fazê-lo. Mas me dei conta que só percebo os queridos lixeiros quando me acordam no meio da noite ou quando atrapalham o trânsito em demasia. Andam em um caminhão gigante com luzes piscando e, ainda assim, conseguimos ignorá-los. Acho que jamais em minha vida dei bom dia, boa tarde ou mesmo agradeci a um lixeiro. Um dos nossos clientes é uma grande empresa que, entre outras coisas, trabalha com coleta de lixo. Soube que os lixeiros têm, em sua maioria, vergonha de sua profissão. Soube de um senhor que trabalha nisso há mais de dez anos e, feliz, conseguiu emprego para seu filho. O filho, após alguns meses, demitiu-se. Preferiu o desemprego. Me senti triste e envergonhado ao saber disso.
Como podemos, nós, deixar que se sintam assim? Humilhados? Justo eles que quase anjos são. Fazem desaparecer a nossa sujeira num piscar de olhos, correndo pendurados em seus caminhões e gritando sua eficiente comunicação. Sou tímido por natureza e por vezes pareço até mal educado. Mas minha timidez se torna, assim, um capricho que terei de superar, pois decidi que quero agradecer o meu lixeiro. Quero olhá-lo no olho e lidar com minha vergonha por, provavelmente, não ter jamais feito isto antes. É nossa sociedade que nos dissocializa.
Temos que mudar. Isto também é construir uma sociedade sustentável.
Sunday, July 11, 2010
MAFARO - Abujanra
Gigante com cueca de anão.
Abujanra está genial no show e CD, Mafaro!
Ele retomou uma pegada “Mulheres Negras”. As letras das músicas são inteligentes e muito divertidas. Seriedade com leveza e os arranjos eu gostei muito. O show integra vídeos com as músicas e interage com a banda e a platéia, numa toada multimídia que o artista abraçou com facilidade. Não é absolutamente inovador, mas segue sendo ousado e foi bem feito. Os gráficos no vídeo são divertidos enriquecem a música. Ontem no SESC Pompéia, o show foi muito animado e divertido. Altíssimo astral.
Gigante com cueca de anão.
Abujanra está genial no show e CD, Mafaro!
Ele retomou uma pegada “Mulheres Negras”. As letras das músicas são inteligentes e muito divertidas. Seriedade com leveza e os arranjos eu gostei muito. O show integra vídeos com as músicas e interage com a banda e a platéia, numa toada multimídia que o artista abraçou com facilidade. Não é absolutamente inovador, mas segue sendo ousado e foi bem feito. Os gráficos no vídeo são divertidos enriquecem a música. Ontem no SESC Pompéia, o show foi muito animado e divertido. Altíssimo astral.
Pobre Macbeth
Direção de Aderbal Freire-Filho, com Renata Sorrah e Daniel Dantas
Fui assistir e, infelizmente, achei bem fraco.
O palco, bem grande, abriga uma cenografia simples e aparentemente bonita. Infelizmente, resta aos atores preenchê-lo, o que eles não dão conta de fazer. A grande maioria deles não tem voz para tomar o teatro e, em boa parte de platéia, tentar escutá-los torna-se angustiante. Renata Sorra e Daniel Dantas preenchem o palco com mais competência que os demais. Mas não gostei de como Daniel interpreta Macbeth, e ainda assim, os demais atores deixam bastante a desejar em sua atuação. Macbeth me pareceu demasiadamente fraco para realizar ações tão ardilosas. Não consegui sentir realmente a angústia da ambivalência que forma os serem humanos e que, em Macbeth, é tão central. As mesas no cenário, que em boa parte da peça funcionam como pequenos palcos, são forradas com diferentes tecidos para ambientar as cenas, mas o efeito é demasiadamente sutil para ajudar a peça a ser estruturada. Sem contar que, em certo momento, para representar que estão na Inglaterra, e não na Escócia, onde se passa a maioria do espetáculo, cobrem a mesa com a bandeira da Grã-Bretanha. Ao invés de usar a bandeira da Inglaterra, branca com uma cruz vermelha, usam a do Reino Unido, Azul com os cruzados vermelhos e brancos.
No segundo ato, as cenas em que simulam estar cavalgando, feita pelos atores sobre as mesas, é algo entre engraçada e patética. Uma forma ousada e simples de representar, mas que ficou muito ruim na minha opinião.
Enfim, o texto é ótimo e a tradução me pareceu agradável e, creio, tenha sido bem feita. É sempre louvável a ousadia de representar Shakespeare e a busca por formatos novos. Mas neste caso eu não gostei do resultado. Os atores me pareceram muito preocupados com suas falas (que aliás careceram em boa parte de uma dicção mais clara) e marcações, e esqueceram de tocar o público. Pena.
Direção de Aderbal Freire-Filho, com Renata Sorrah e Daniel Dantas
Fui assistir e, infelizmente, achei bem fraco.
O palco, bem grande, abriga uma cenografia simples e aparentemente bonita. Infelizmente, resta aos atores preenchê-lo, o que eles não dão conta de fazer. A grande maioria deles não tem voz para tomar o teatro e, em boa parte de platéia, tentar escutá-los torna-se angustiante. Renata Sorra e Daniel Dantas preenchem o palco com mais competência que os demais. Mas não gostei de como Daniel interpreta Macbeth, e ainda assim, os demais atores deixam bastante a desejar em sua atuação. Macbeth me pareceu demasiadamente fraco para realizar ações tão ardilosas. Não consegui sentir realmente a angústia da ambivalência que forma os serem humanos e que, em Macbeth, é tão central. As mesas no cenário, que em boa parte da peça funcionam como pequenos palcos, são forradas com diferentes tecidos para ambientar as cenas, mas o efeito é demasiadamente sutil para ajudar a peça a ser estruturada. Sem contar que, em certo momento, para representar que estão na Inglaterra, e não na Escócia, onde se passa a maioria do espetáculo, cobrem a mesa com a bandeira da Grã-Bretanha. Ao invés de usar a bandeira da Inglaterra, branca com uma cruz vermelha, usam a do Reino Unido, Azul com os cruzados vermelhos e brancos.
No segundo ato, as cenas em que simulam estar cavalgando, feita pelos atores sobre as mesas, é algo entre engraçada e patética. Uma forma ousada e simples de representar, mas que ficou muito ruim na minha opinião.
Enfim, o texto é ótimo e a tradução me pareceu agradável e, creio, tenha sido bem feita. É sempre louvável a ousadia de representar Shakespeare e a busca por formatos novos. Mas neste caso eu não gostei do resultado. Os atores me pareceram muito preocupados com suas falas (que aliás careceram em boa parte de uma dicção mais clara) e marcações, e esqueceram de tocar o público. Pena.
Wednesday, June 30, 2010
Quando um gênio encontra sua criança, ele brinca!
Itzhak Perlman toca klezmer pela primeira vez na vida.
O encontro de um gênio com a sua infância de maneira muito especial. Possível quando ele resolveu experimentar algo novo e ousar. O Klezmer é um ritmo tradicional dos judeus da Europa Oriental. Itzhak Perlman é considerado um doa maiores violinistas do mundo, nascido em uma família de judeus poloneses, ele jamais havia se aventurado no Klezmer. Um ele resolveu mudar isto em grande estilo. Foi até Krakóvia, com seu pai. Juntou um pequeno grupo de músicos de Klezmer, sentou-se no jardim à frente da abandonada sinagoga, no antigo bairro judaico e resolveu experimentar. O Klezmer, normalmente cantado em idish, expressa a ambivalência da alma judaica e o antagonismo da história do povo. O lamento e a alegria se alternam rapidamente, fazendo uma música que passeia pelos extremos.
Assisti este documentário e achei fantástico. Segue um pequeno trechinho. Para um judeu de origem azshquenazi (Europa Oriental), o Klezmer não permite ficar parado. Se você sabe tocar, você toca, se sabe dançar, dança, se não sabe, dança também. E se não quer mesmo dançar, a alma dança em você.
Itzhak Perlman toca klezmer pela primeira vez na vida.
O encontro de um gênio com a sua infância de maneira muito especial. Possível quando ele resolveu experimentar algo novo e ousar. O Klezmer é um ritmo tradicional dos judeus da Europa Oriental. Itzhak Perlman é considerado um doa maiores violinistas do mundo, nascido em uma família de judeus poloneses, ele jamais havia se aventurado no Klezmer. Um ele resolveu mudar isto em grande estilo. Foi até Krakóvia, com seu pai. Juntou um pequeno grupo de músicos de Klezmer, sentou-se no jardim à frente da abandonada sinagoga, no antigo bairro judaico e resolveu experimentar. O Klezmer, normalmente cantado em idish, expressa a ambivalência da alma judaica e o antagonismo da história do povo. O lamento e a alegria se alternam rapidamente, fazendo uma música que passeia pelos extremos.
Assisti este documentário e achei fantástico. Segue um pequeno trechinho. Para um judeu de origem azshquenazi (Europa Oriental), o Klezmer não permite ficar parado. Se você sabe tocar, você toca, se sabe dançar, dança, se não sabe, dança também. E se não quer mesmo dançar, a alma dança em você.
Friday, June 25, 2010
Comi o pão e fiquei sem o circo.
Brasil e Portugal não deu nem pra pinga nem bacalhau
O jogo de hoje, entre Brasil e Portugal foi uma das experiências mais frustrantes da minha pouco acalentada vida de torcedor. Segui até o bar, ou restaurante, aqui ao lado do escritório. Fomos todos cheios de energia, camisetas verde e amarelas, fitas e fé. Chegamos para ocupar a mesa, já reservada, bem posicionada entre várias TVs e um telão. Pedimos logo uma caipirinha que era pra deixar claro a que viemos! Sim, eram 11 horas da manhã de um dia de semana. E daí? É nessas horas que podemos jogar todos os problemas pra escanteio, pois há algo mais importante a acontecer: o Brasil vai entrar em campo. A seleção canarinho, que na real, há tempos já voou, vaio entrar pra nos encher de alegria e orgulho de sermos brasileiros. Vai correr o gramado pra nos dar um, ao menos um motivo pra esquecermos que este país está mergulhado em políticos desonestos, governantes fracos e irresponsáveis, serviços públicos que não funcionam, corporações que mandam no Estado e uma economia, que embora diga-se estar “bombando”, carrega para onde olhos dezenas de reclamações e frustrações. Nada disto importa, pois no dia de jogo eu sou o campeão do mundo, e é assim que eu quero me sentir!
Entramos no Dona Felicidade. Lugar ideal para assistir a um bom jogo! Sentamos na mesa onde, com freqüência, podemos encontrar o próprio Casa Grande - O casão mesmo - sentado na hora do almoço. Olhei para a TV e logo acima dela, lá estava: a bandeira de Portugual. Sim. Nos faltou a óbvia lembrança de que a doce senhora que toca este estabelecimento com precisão é portuguesa. O cardápio emparelha pratos portugueses com caipirinhas variadas e mistura lingüiça no álcool e feijoada com uma bela bacalhoada. Pois é. Brasil e Portugual são entrelaçados de maneira inevitável. Eles nos colonizaram, e nós os carregamos dentro de nós. Na nossa cultura, língua e nas esquinas onde os portugueses brasileiros tem seus bares, padarias e restaurantes. Aliás, pra quem não vai há algum tempo pra lusa nação, não tenham dúvidas de que estamos devolvendo à altura. Nós é que os colonizamos hoje, enchendo a pequena nação de brasileiros e novelas.
Mas vamos lá! Vamos vencer este jogo e abandonar esta velha posição colonizada! Nada disso. Não vencemos o jogo. Fizemos um jogo medíocre e sem emoção. Nada que justificasse uma boa caipirinha numa sexta feira pela manhã. Perder o jogo teria nos dado, ao menos, um sentimento. Que fosse dor, raiva, humilhação. Algo que se sinta, como diria o grande Antunes.
Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Por fim, espero que esta seleção nos ofereça mais em troca da humilhação de uma nação que finge estar tudo bem apenas para assisti-los. Por mim, podiam eles devolver a responsabilidade ao Governo, que este sim merece ser questionado por milhões. Mas não o é. Então, que a seleção tome as palavras que seguem nesta canção de Arnaldo:
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas.
Veremos o que virá. Seguimos em nossa esperança circense.
Brasil e Portugal não deu nem pra pinga nem bacalhau
O jogo de hoje, entre Brasil e Portugal foi uma das experiências mais frustrantes da minha pouco acalentada vida de torcedor. Segui até o bar, ou restaurante, aqui ao lado do escritório. Fomos todos cheios de energia, camisetas verde e amarelas, fitas e fé. Chegamos para ocupar a mesa, já reservada, bem posicionada entre várias TVs e um telão. Pedimos logo uma caipirinha que era pra deixar claro a que viemos! Sim, eram 11 horas da manhã de um dia de semana. E daí? É nessas horas que podemos jogar todos os problemas pra escanteio, pois há algo mais importante a acontecer: o Brasil vai entrar em campo. A seleção canarinho, que na real, há tempos já voou, vaio entrar pra nos encher de alegria e orgulho de sermos brasileiros. Vai correr o gramado pra nos dar um, ao menos um motivo pra esquecermos que este país está mergulhado em políticos desonestos, governantes fracos e irresponsáveis, serviços públicos que não funcionam, corporações que mandam no Estado e uma economia, que embora diga-se estar “bombando”, carrega para onde olhos dezenas de reclamações e frustrações. Nada disto importa, pois no dia de jogo eu sou o campeão do mundo, e é assim que eu quero me sentir!
Entramos no Dona Felicidade. Lugar ideal para assistir a um bom jogo! Sentamos na mesa onde, com freqüência, podemos encontrar o próprio Casa Grande - O casão mesmo - sentado na hora do almoço. Olhei para a TV e logo acima dela, lá estava: a bandeira de Portugual. Sim. Nos faltou a óbvia lembrança de que a doce senhora que toca este estabelecimento com precisão é portuguesa. O cardápio emparelha pratos portugueses com caipirinhas variadas e mistura lingüiça no álcool e feijoada com uma bela bacalhoada. Pois é. Brasil e Portugual são entrelaçados de maneira inevitável. Eles nos colonizaram, e nós os carregamos dentro de nós. Na nossa cultura, língua e nas esquinas onde os portugueses brasileiros tem seus bares, padarias e restaurantes. Aliás, pra quem não vai há algum tempo pra lusa nação, não tenham dúvidas de que estamos devolvendo à altura. Nós é que os colonizamos hoje, enchendo a pequena nação de brasileiros e novelas.
Mas vamos lá! Vamos vencer este jogo e abandonar esta velha posição colonizada! Nada disso. Não vencemos o jogo. Fizemos um jogo medíocre e sem emoção. Nada que justificasse uma boa caipirinha numa sexta feira pela manhã. Perder o jogo teria nos dado, ao menos, um sentimento. Que fosse dor, raiva, humilhação. Algo que se sinta, como diria o grande Antunes.
Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Por fim, espero que esta seleção nos ofereça mais em troca da humilhação de uma nação que finge estar tudo bem apenas para assisti-los. Por mim, podiam eles devolver a responsabilidade ao Governo, que este sim merece ser questionado por milhões. Mas não o é. Então, que a seleção tome as palavras que seguem nesta canção de Arnaldo:
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas.
Veremos o que virá. Seguimos em nossa esperança circense.
Thursday, June 24, 2010
Resiliência Chorada
Lições do Caminho de Santiago de Compostella
Hoje estive lendo o Blog de um amigo, Guilherme Mazzola. Ele escreveu sobre algumas reflexões de quando fazia o Caminho de Santiago. Acabei, eu mesmo, lembrando de quando trilhei este caminho. Me dei conta de como as experiências da vida seguem à nossa disposição para virarem lições. Também hoje respondi a uma pessoa que me perguntava sobre a resiliência e me lembrei desta passagem. (na foto, no aeroporto preparando pra retornar ao Brasil, com a serenidade de quem entendeu que estamos sempre no caminho.)
Após dias de caminhada chegamos a um pequeno pueblito (vilarejo) no meio das montanhas da Espanha na região de Castilla e Leon. A caminhada até lá havia sido dura, com trechos de subida e de montanha. A Clô tinha os pés destruídos e já estava caminhando de sandálias, pois não consegui vestir as botas. Chegamos ao pueblito na hora da ciesta. Tudo fechado. A Clô mal conseguia dar um passo e nos pareceu impossível seguir. Eu estava cansado demais para conseguir manter a firmeza de espírito e me senti muito frustrado. Eu já havia caminhado horas com as duas mochilas para facilitar para ela nos trechos cheios de pedras e subidas. Percebemos que se não caminhássemos naquele dia por mais algumas horas chegaríamos um dia mais tarde e isto nos faria perder o avião de Santiago a Barcelona, onde eu queria visitar meus irmãos que estavam morando lá.
Discutimos um pouco e logo estávamos chorando. A mistura do cansaço da dor e da frustração foi explosiva. Ambos muito acostumados a caminhar. Jamais pensamos que poderíamos ter de desistir. O choro acalmou a alma e a pressa provocada pela aflição. Por fim, resolvemos seguir bem lentamente, pois sabíamos que havia um albergue de peregrinos cerca de seis quilômetros adiante. Seguimos lentamente, caminhando por uma velha estrada que seguia abaixo de uma nova e gigantesca rodovia. Caminhamos quase em silêncio.
O final da tarde foi brindado com nossa chegada a um albergue muito simples. Camas alinhadas no porão, numa vila que não chegava a ter dez casas. Uma delas fazia uma boa refeição peregrina, com sopa de lentilhas, pão e um belo vinho local. E ai?
E aí que desta vila não havia como pegar um ônibus ou trem para ir embora. Os próprios moradores, quando queriam sair de lá, eram obrigados a caminhar cerca de seis quilômetros até o pueblito que havíamos deixado pra trás. Lá, longe das alternativas, a decisão ficou distante. A pressão imposta pela possibilidade de seguir outro caminho sumiu. De lá, a única alternativa era caminhar. No dia seguinte, os pés começaram a melhorar. Dois dias depois a Clô já conseguia calçar suas botas e um dia depois já estávamos caminhando sem pressa e, ainda assim, cumprindo com facilidade uns 30 km por dia. Por fim, quando já estava em Barcelona, caminhando na praia com meus irmãos, percebi que um dia a mais ou a menos com eles não faria tanta diferença. Toda aquela pressão vinha de uma grande urgência emocional. De uma angústia interna que poderia ter transformado a encruzilhada no fim de uma grande realização. Ao longo do caminho percebi a inconsistência da pressa em nossa vida. O Caminho de Santiago revela em sua mágica a simplicidade deste fato.
A resiliência, descrita como “canalizar as energias das dificuldades para um desfecho construtivo”, passa por conseguir manter a calma. Conseguir entender o tamanho do problema em um contexto maior. No contexto da impermanência das coisas e da inconsistência da urgência. As empresas, tão afoitas para absorverem este contexto, o fazem seguindo na contramão, pois querem entender como fazer isto para não perderem tempo. É um paradoxo em si. Pof fim, digo mais: Se não houvéssemos chorado quando achamos que nossa jornada acabaria ali, não haveríamos liberado a angústia e permitido que a energia voltasse a fluir. Não teríamos achado a força pra continuar. E aí? Será que as empresas estão prontas pra dar espaço ao choro natural da vida?
Lições do Caminho de Santiago de Compostella
Hoje estive lendo o Blog de um amigo, Guilherme Mazzola. Ele escreveu sobre algumas reflexões de quando fazia o Caminho de Santiago. Acabei, eu mesmo, lembrando de quando trilhei este caminho. Me dei conta de como as experiências da vida seguem à nossa disposição para virarem lições. Também hoje respondi a uma pessoa que me perguntava sobre a resiliência e me lembrei desta passagem. (na foto, no aeroporto preparando pra retornar ao Brasil, com a serenidade de quem entendeu que estamos sempre no caminho.)
Após dias de caminhada chegamos a um pequeno pueblito (vilarejo) no meio das montanhas da Espanha na região de Castilla e Leon. A caminhada até lá havia sido dura, com trechos de subida e de montanha. A Clô tinha os pés destruídos e já estava caminhando de sandálias, pois não consegui vestir as botas. Chegamos ao pueblito na hora da ciesta. Tudo fechado. A Clô mal conseguia dar um passo e nos pareceu impossível seguir. Eu estava cansado demais para conseguir manter a firmeza de espírito e me senti muito frustrado. Eu já havia caminhado horas com as duas mochilas para facilitar para ela nos trechos cheios de pedras e subidas. Percebemos que se não caminhássemos naquele dia por mais algumas horas chegaríamos um dia mais tarde e isto nos faria perder o avião de Santiago a Barcelona, onde eu queria visitar meus irmãos que estavam morando lá.
Discutimos um pouco e logo estávamos chorando. A mistura do cansaço da dor e da frustração foi explosiva. Ambos muito acostumados a caminhar. Jamais pensamos que poderíamos ter de desistir. O choro acalmou a alma e a pressa provocada pela aflição. Por fim, resolvemos seguir bem lentamente, pois sabíamos que havia um albergue de peregrinos cerca de seis quilômetros adiante. Seguimos lentamente, caminhando por uma velha estrada que seguia abaixo de uma nova e gigantesca rodovia. Caminhamos quase em silêncio.
O final da tarde foi brindado com nossa chegada a um albergue muito simples. Camas alinhadas no porão, numa vila que não chegava a ter dez casas. Uma delas fazia uma boa refeição peregrina, com sopa de lentilhas, pão e um belo vinho local. E ai?
E aí que desta vila não havia como pegar um ônibus ou trem para ir embora. Os próprios moradores, quando queriam sair de lá, eram obrigados a caminhar cerca de seis quilômetros até o pueblito que havíamos deixado pra trás. Lá, longe das alternativas, a decisão ficou distante. A pressão imposta pela possibilidade de seguir outro caminho sumiu. De lá, a única alternativa era caminhar. No dia seguinte, os pés começaram a melhorar. Dois dias depois a Clô já conseguia calçar suas botas e um dia depois já estávamos caminhando sem pressa e, ainda assim, cumprindo com facilidade uns 30 km por dia. Por fim, quando já estava em Barcelona, caminhando na praia com meus irmãos, percebi que um dia a mais ou a menos com eles não faria tanta diferença. Toda aquela pressão vinha de uma grande urgência emocional. De uma angústia interna que poderia ter transformado a encruzilhada no fim de uma grande realização. Ao longo do caminho percebi a inconsistência da pressa em nossa vida. O Caminho de Santiago revela em sua mágica a simplicidade deste fato.
A resiliência, descrita como “canalizar as energias das dificuldades para um desfecho construtivo”, passa por conseguir manter a calma. Conseguir entender o tamanho do problema em um contexto maior. No contexto da impermanência das coisas e da inconsistência da urgência. As empresas, tão afoitas para absorverem este contexto, o fazem seguindo na contramão, pois querem entender como fazer isto para não perderem tempo. É um paradoxo em si. Pof fim, digo mais: Se não houvéssemos chorado quando achamos que nossa jornada acabaria ali, não haveríamos liberado a angústia e permitido que a energia voltasse a fluir. Não teríamos achado a força pra continuar. E aí? Será que as empresas estão prontas pra dar espaço ao choro natural da vida?
Wednesday, June 23, 2010
Ídishe Copf na Propaganda
E aí vai um exemplo de "idishe copf" na propaganda israelense. A expressão se refere ao pensamento rápido e estratégico. Os judeus da Europa Oriental, super perseguidos nos anos 20 até 50, acabavam criando subterfúgios para se auto valorizarem numa sociedade extremamanete fragmentada e segregadora. Literalmente a expressão que dizer "cabeça de judeu", e refere-se a este tipo de raciocínio.
Já que hoje estou privilegiando a simplicidade, aí vai um bom exemplo:
E aí vai um exemplo de "idishe copf" na propaganda israelense. A expressão se refere ao pensamento rápido e estratégico. Os judeus da Europa Oriental, super perseguidos nos anos 20 até 50, acabavam criando subterfúgios para se auto valorizarem numa sociedade extremamanete fragmentada e segregadora. Literalmente a expressão que dizer "cabeça de judeu", e refere-se a este tipo de raciocínio.
Já que hoje estou privilegiando a simplicidade, aí vai um bom exemplo:
Cocô é uma Merda!
Hoje pela manhã enquanto caminhava pelo meu bairro com meu cachorro fiquei impressionado com o número de, com o perdão da simplicidade de linguagem, cocôs! Bom, ao invés de escrever sobre isso e a falta de consciência coletiva do brasileiro. Aí vai um anúncio muito bom, carregado de humor e simplicidade. Elementos que, pra mim, aina figuram no topo entre as boas qualidades de um anúncio bem feito.
Hoje pela manhã enquanto caminhava pelo meu bairro com meu cachorro fiquei impressionado com o número de, com o perdão da simplicidade de linguagem, cocôs! Bom, ao invés de escrever sobre isso e a falta de consciência coletiva do brasileiro. Aí vai um anúncio muito bom, carregado de humor e simplicidade. Elementos que, pra mim, aina figuram no topo entre as boas qualidades de um anúncio bem feito.
Friday, June 18, 2010
Estou Correndo Atrás do Rabo
A gente acha que já entendeu, mas na verdade ainda não aceitou
Conversando com uma amiga querida ela me contava sobre sua avó: Minha avó sim era feliz. Calma, serena e feliz com o que tinha. Não queria demais, não reclamava da vida. Teve uma vida simples dedicada à família. Teve uma família difícil, uma infância ruim, mas, mesmo assim, não tinha queixas. Ilusão!
A vida é feita de todos os sentimentos, e a saúde mental de uma vida boa e tem angústias, tristezas e frustrações! Nós ainda esperamos que a vida seja um patamar de serenidade, que um dia alcançaremos. Mas ela não é. Todos têm seus conflitos e eles são doídos para quem os vive. Os profundos conflitos da vida nos são simples quando vividos pelos outros. Mas eles não são menos duros do que os nossos próprios para quem os vive.
A doce avó da minha amiga, assim como a minha própria, cresceu num mundo onde não se falavam abertamente dos conflitos profundos. Das dúvidas e ambigüidades. Velar e não expressar estas questões não faz mais fácil lidar com elas. Ela sofria e certamente morrer com alegrias e tristezas. Levou realizações e sonhos frustrados. Sonhos que poderiam ter sido realidade e sonhos que nasceram para morrer sonhos. Foi-se cheia de pensamentos, como iremos nós.
Estamos em um momento onde, mais uma vez, a sociedade busca a liberdade. Quer se expressar, viver por amor, ser livre! Todos podem quase tudo. Mas esquecemos que as instituições engessadas foram criadas com o tempo para aplacar as angústias geradas por uma liberdade absoluta e extrema. Será que estamos girando em círculo e cometeremos os mesmos erros do passado? Sim! Mas não são erros. É apenas a vida. Seguimos buscando aplacar nossas angústias mudando nossa forma de viver e o mundo ao nosso redor. Não há problema com isso. É saudável. Mas as angústias voltarão, pó is assim é o ser humano. E os sentimentos de que não gostamos também fazem parte de uma vida saudável.
Não somos melhores do que o cachorro que corre atrás do rabo, mas nossa corrida é mais complexa e cheia de elementos, portanto, aproveite a corrida deliciosa, pois este é o propósito da vida, pois o rabo você não alcançará.
Monday, June 14, 2010
Thursday, June 10, 2010
Espetáculo Ghetto
Fabinho é um amigo querido. Trinta anos se vão desde que o conheci. Foi meu chefe de escoterio na Avanhandava, e mais tarde, foi meu diretor no grupo Te Amo Te Atro. O Fabinho é um dos responsáveis pelo meu amor pelo teatro.
http://www.espetaculoguetto.com/
A peça é um monólogo do meu querido amigo Fabinho Herford, e eu achei fantástica!
Fabinho é um amigo querido. Trinta anos se vão desde que o conheci. Foi meu chefe de escoterio na Avanhandava, e mais tarde, foi meu diretor no grupo Te Amo Te Atro. O Fabinho é um dos responsáveis pelo meu amor pelo teatro.A peça tem o Gueto de Varsóvia como contexto, mas ela é maior do que isso. Ela é sobre a fé!
O que é a fé e porque a temos? Pra mim, fé, é um tema central hoje no mundo, ao lado do preconceito e da agressividade.
No final, ao citar sobrenomes que se foram no Gueto, Fabinho faz uma homenagem sutil a amigos queridos do teatro e da vida.
O que, afinal, é a vida e porque é ela como é, ai invés de ser como gostaríamos que fosse? A peça segue em cartaz por pouco tempo. Vá. Eo gostei muito.No final, ao citar sobrenomes que se foram no Gueto, Fabinho faz uma homenagem sutil a amigos queridos do teatro e da vida.
http://www.espetaculoguetto.com/
Wednesday, June 09, 2010
Discurso de Meu Avô (Zeide Jacó)
Este discurso foi feito por meu avô, Jacob Melech Szewc, no dia do bar-mitzva de meu tio, Henrique Chevis. O discurso foi feito em idish e gravado em um LP 78 rotações. Foi traduzido por minha mãe no ano passado, Betty Svartman, e digitado pelo meu irmão, André. Por isso o título. André é o neto mais novo entre os dez que formam parte do legado de Jacob Szewc. Meu irmão do meio, Mauro, leva o nome dele em Hebraico. Eu inseri traduções entre parênteses para as palavras pronunciadas em idish.
Neste domingo, dia 13 de junho de 2010, o neto do meu Tio Hique comemorará o seu bar-mitzvá, o Guilherme, filho da Claudia e do Zeca, irmão do Marquinhos. 56 anos depois. É o segundo bisneto do meu avô a fazer bar-mitzva. O primeiro foi o Alê, filho do Milton. Aí vai uma pequena homenagem aos meus primos queridos, meu tio e meu avô, que não chegou a conhecer seus bisnetos.
“Meu querido filho Henrique,
Hoje, dia 24 de Novembro de 1954, comemoramos, eu, seu pai, junto com sua mãe (Golda Wolak Szewc) e seu querido irmão (Carlito) e irmãzinha (Bettynha), seu 13º aniversário.
Como seu aniversário caiu numa 4ª feira, nós queríamos dar oportunidade de toda nossa família e amigos poderem participar da `simchá` (alegria/ comemoração). Nós os chamamos no sábado, dia 28 de Novembro, para divertirem-se conosco e darem kavód (respeito/ homenagem) a você.
Para você, meu querido filho, a data de hoje é um dia especial, porque hoje é seu 13º aniversário, seu Bar Mitzva, o que significa que a partir de hoje você se forma uma pessoa de pleno pensamento e responsabilidade, por você, por seus pais e pelo povo judeu.
Bar Mitzva é para os idish uma data em que a criança passa a ter sua própria sabedoria e seu conhecimento e por isto é tão investida pelos idn (...) e para nós, pais, uma data tão cara. (idish ou idn é como os judeus ashkenazi referiam-se aos próprios judeus)
Acredito que ao dizer estas palavras você vai entendê-las e tratar estas palavras com respeito.(...)
Você tem um mundo com pessoas boas e pessoas más, e quando você for escolher seus amigos, escolherá entre as pessoas boas, porque essas são as que vão lutar por um bom futuro.
Da época do seu nascimento até hoje, o mundo passou por uma terrível guerra: uma guerra que foi horrível para toda humanidade e para os idn em particular. Seis milhões de idn foram mortos sem motivo: queimados vivos nas câmaras de gás e entre eles estavam seus próximos – babe (vó), zeide (vô) , tios, tias e outros seus. Hoje, infelizmente ainda existem pessoas más, que querem repetir o mesmo. Eles querem, de novo, a guerra. Eles querem, de novo, culpar as pessoas.
E eu, teu pai, quero no dia de hoje te fazer uma pergunta: O que é melhor?
Tenho certeza de que você, meu filho, vai escolher as pessoas boas. Por causa de sua educação.
A você, meu filho Henrique, desejo que cresça num mundo de paz e de justiça.
Eu, teu pai, desejo a você que se desenvolva um bravo judeu.
Como minha querida esposa já disse e você já sabe, nós não comemoramos as cerimônias religiosas. Acreditamos no mundo moderno. Com sua sabedoria moderna. Em criar nossos filhos em um ambiente de honestidade e generosidade, mentchelechkait ... (humanismo) também para o povo judeu.”
Jacob Melech Szewc
Este discurso foi feito por meu avô, Jacob Melech Szewc, no dia do bar-mitzva de meu tio, Henrique Chevis. O discurso foi feito em idish e gravado em um LP 78 rotações. Foi traduzido por minha mãe no ano passado, Betty Svartman, e digitado pelo meu irmão, André. Por isso o título. André é o neto mais novo entre os dez que formam parte do legado de Jacob Szewc. Meu irmão do meio, Mauro, leva o nome dele em Hebraico. Eu inseri traduções entre parênteses para as palavras pronunciadas em idish.
Neste domingo, dia 13 de junho de 2010, o neto do meu Tio Hique comemorará o seu bar-mitzvá, o Guilherme, filho da Claudia e do Zeca, irmão do Marquinhos. 56 anos depois. É o segundo bisneto do meu avô a fazer bar-mitzva. O primeiro foi o Alê, filho do Milton. Aí vai uma pequena homenagem aos meus primos queridos, meu tio e meu avô, que não chegou a conhecer seus bisnetos.
“Meu querido filho Henrique,
Hoje, dia 24 de Novembro de 1954, comemoramos, eu, seu pai, junto com sua mãe (Golda Wolak Szewc) e seu querido irmão (Carlito) e irmãzinha (Bettynha), seu 13º aniversário.
Como seu aniversário caiu numa 4ª feira, nós queríamos dar oportunidade de toda nossa família e amigos poderem participar da `simchá` (alegria/ comemoração). Nós os chamamos no sábado, dia 28 de Novembro, para divertirem-se conosco e darem kavód (respeito/ homenagem) a você.
Para você, meu querido filho, a data de hoje é um dia especial, porque hoje é seu 13º aniversário, seu Bar Mitzva, o que significa que a partir de hoje você se forma uma pessoa de pleno pensamento e responsabilidade, por você, por seus pais e pelo povo judeu.
Bar Mitzva é para os idish uma data em que a criança passa a ter sua própria sabedoria e seu conhecimento e por isto é tão investida pelos idn (...) e para nós, pais, uma data tão cara. (idish ou idn é como os judeus ashkenazi referiam-se aos próprios judeus)
Acredito que ao dizer estas palavras você vai entendê-las e tratar estas palavras com respeito.(...)
Você tem um mundo com pessoas boas e pessoas más, e quando você for escolher seus amigos, escolherá entre as pessoas boas, porque essas são as que vão lutar por um bom futuro.
Da época do seu nascimento até hoje, o mundo passou por uma terrível guerra: uma guerra que foi horrível para toda humanidade e para os idn em particular. Seis milhões de idn foram mortos sem motivo: queimados vivos nas câmaras de gás e entre eles estavam seus próximos – babe (vó), zeide (vô) , tios, tias e outros seus. Hoje, infelizmente ainda existem pessoas más, que querem repetir o mesmo. Eles querem, de novo, a guerra. Eles querem, de novo, culpar as pessoas.
E eu, teu pai, quero no dia de hoje te fazer uma pergunta: O que é melhor?
Tenho certeza de que você, meu filho, vai escolher as pessoas boas. Por causa de sua educação.
A você, meu filho Henrique, desejo que cresça num mundo de paz e de justiça.
Eu, teu pai, desejo a você que se desenvolva um bravo judeu.
Como minha querida esposa já disse e você já sabe, nós não comemoramos as cerimônias religiosas. Acreditamos no mundo moderno. Com sua sabedoria moderna. Em criar nossos filhos em um ambiente de honestidade e generosidade, mentchelechkait ... (humanismo) também para o povo judeu.”
Jacob Melech Szewc
Nem Por Todo o Chá da China!
A situação na China começa a mostrar sinais da sua insustentabilidade.
A expressão “negócio da China” refere-se a um bom negócio. Vem do século XVIII, se não me engano, quando a China negociava chás e especiarias com o ocidente, e os navios faziam, para isso, uma rota otimizada quanto ao leva e trás de mercadorias.
Hoje, a expressão não poderia ser mais atual. A China é o parque fabril do mundo. Sua economia vem apresentando índices de crescimento impressionantes, o país produz, ganha espaço e, há tempos, deixou de ser “o outro lado do mundo”.
Todo este movimento, porém, não deixa de ser apoiado em solo pouco firme em alguns aspectos, como cheguei a comentar no post A Muralha da China Cresceu, tempos atrás. Já há alguns anos, analistas com um olhar amplo ao equilíbrio do mundo vêm apontando o potencial de colapso do modelo chinês. O crescimento tem se dado em grande parte pelas condições de produção a preços muito menores do que em outros países. Produzir, na China, é muito barato. É tão barato que compensa a distância, a dificuldade da língua, o transporte e tudo mais. Mas a China esconde incoerências que, em algum momento, não poderão se sustentar. Há muita hipocrisia do ocidente neste processo. Enquanto as indústrias locais têm, cada vez mais, que buscar modelos sustentáveis de solução, elaborar relatórios evidenciando isto, conquistar certificações, se relacionar com diferentes stakeholders, etc. Na, China, a produção não preocupa-se com tantos parâmetros. A qualidade industrial tem sido aprimorada e auditada, mas a qualidade social da produção é um ponto cego desta equação. O ocidente compra da China e faz vistas grossas e hipócritas a isto.
O budismo é firme ao dizer que nada é permanente. A China, como um país com grande percentual de sua população budista, não escapa desta sábia realidade. Pouco a pouco os trabalhadores chineses tomam consciência da precariedade de sua condição de trabalho. A China vive hoje uma séria e greves e marchas reinvindicatórias. A Honda está com sua produção praticamente parada há dois dias, sendo que acabou de sair de uma dura negociação onde acabou aumentando salários e participações de seus funcionários. Ao contrário do que pode-se pensar, com a velocidade da comunicação, mesmo em um país que ainda tenta controlá-la, estes movimentos não se darão lentamente. Eles serão rápidos e criarão tensões crescentes no seio do crescimento chinês.
O próprio governo mudou seu discurso e, agora, começa a incentivar empresas a melhorarem as condições de trabalho de seus funcionários. Para um governo ditatorial que sabe que seu crescimento se deve aos custos baixos da produção no país, isto não é pouca coisa. Com a China sob olhos do mundo, o governo ditatorial terá de aprender a dançar músicas diferentes. Na China, o país parece dividir-se em realidades muito dissonantes.
Veremos por quanto tempo o negócio da China seguirá sendo um bom negócio e por quanto tempo o governo chinês conseguirá sustentar uma gestão assim negociando com o mundo ocidental. Por hora, um pouco de repressão na China e um pouco de hipocrisia no ocidente tem resolvido.
A situação na China começa a mostrar sinais da sua insustentabilidade.
A expressão “negócio da China” refere-se a um bom negócio. Vem do século XVIII, se não me engano, quando a China negociava chás e especiarias com o ocidente, e os navios faziam, para isso, uma rota otimizada quanto ao leva e trás de mercadorias.
Hoje, a expressão não poderia ser mais atual. A China é o parque fabril do mundo. Sua economia vem apresentando índices de crescimento impressionantes, o país produz, ganha espaço e, há tempos, deixou de ser “o outro lado do mundo”.
Todo este movimento, porém, não deixa de ser apoiado em solo pouco firme em alguns aspectos, como cheguei a comentar no post A Muralha da China Cresceu, tempos atrás. Já há alguns anos, analistas com um olhar amplo ao equilíbrio do mundo vêm apontando o potencial de colapso do modelo chinês. O crescimento tem se dado em grande parte pelas condições de produção a preços muito menores do que em outros países. Produzir, na China, é muito barato. É tão barato que compensa a distância, a dificuldade da língua, o transporte e tudo mais. Mas a China esconde incoerências que, em algum momento, não poderão se sustentar. Há muita hipocrisia do ocidente neste processo. Enquanto as indústrias locais têm, cada vez mais, que buscar modelos sustentáveis de solução, elaborar relatórios evidenciando isto, conquistar certificações, se relacionar com diferentes stakeholders, etc. Na, China, a produção não preocupa-se com tantos parâmetros. A qualidade industrial tem sido aprimorada e auditada, mas a qualidade social da produção é um ponto cego desta equação. O ocidente compra da China e faz vistas grossas e hipócritas a isto.
O budismo é firme ao dizer que nada é permanente. A China, como um país com grande percentual de sua população budista, não escapa desta sábia realidade. Pouco a pouco os trabalhadores chineses tomam consciência da precariedade de sua condição de trabalho. A China vive hoje uma séria e greves e marchas reinvindicatórias. A Honda está com sua produção praticamente parada há dois dias, sendo que acabou de sair de uma dura negociação onde acabou aumentando salários e participações de seus funcionários. Ao contrário do que pode-se pensar, com a velocidade da comunicação, mesmo em um país que ainda tenta controlá-la, estes movimentos não se darão lentamente. Eles serão rápidos e criarão tensões crescentes no seio do crescimento chinês.
O próprio governo mudou seu discurso e, agora, começa a incentivar empresas a melhorarem as condições de trabalho de seus funcionários. Para um governo ditatorial que sabe que seu crescimento se deve aos custos baixos da produção no país, isto não é pouca coisa. Com a China sob olhos do mundo, o governo ditatorial terá de aprender a dançar músicas diferentes. Na China, o país parece dividir-se em realidades muito dissonantes.
Veremos por quanto tempo o negócio da China seguirá sendo um bom negócio e por quanto tempo o governo chinês conseguirá sustentar uma gestão assim negociando com o mundo ocidental. Por hora, um pouco de repressão na China e um pouco de hipocrisia no ocidente tem resolvido.
Tuesday, June 08, 2010
EXTREMA - MG
(junho 2010)
(junho 2010)
Passei o feriado em Extrema.
A cidade não tem muito a oferecer. Na verade, a cidade mesmo não tem praticamente nada. Inicialmente me pareceu um município sem movimento econômico nenhum, e por isso me surpreendi tanto ao saber que hoje ele é a sexta economia de Minas Gerais. O crescimento é baseado no deslocamento de um grande número de indústrias, o que esta provocando uma agito geral por lá. De qualquer forma a economia aquecida não se traduziu ainda emdesenvolvimento a olhos nus. A cidade está crescendo, mas ainda é minúscula. Acho que o turismo pode ter um papel importante em colocar a cidade sob olhos atentos que cobrem posturas sustentáveis de crescimento e reinvestimento na população.
De qualquer forma, Extrema está grudada na Rodovia Fernão Dias e está ao lado de Joanópolis, em SP. O município oferece uma série de pequenas trilhas gostosas com vistas maravilhosas. Cachoeiras deliciosas, gente muito simpática e um clima muito gostoso, além de alambiques artesanais e muita cachaça pra experimentar. O ar mineiro se faz presente em queijos e geleias caseiras. Ficamos na Pousada Muxarabi, de um casal muito simpático que saiu de São Paulo e se acomodou por lá, coisa que, aliás, muita gente tá fazendo.
Vale a pena pra quem quer descansar sem se afastar muito de São Paulo.
Minha fala mais profunda
Publicado: Quarta-feira, 26 de maio de 2010 na minha coluna no www.itu.com.br
Já estou um dia atrasado com meu artigo aqui nesta coluna. Cada vez que busquei o que escrever, encontrei dentro de mim um profundo silêncio. Pode-se pensar: Será que nada tenho a dizer? Mas bem pouco o nada tem a ver com o silêncio. No silêncio, não reside o nada. Reside o tudo. Se no silêncio há tudo, porque quando estamos nele nada se diz? E a resposta me parece clara: Por que tudo, é muito pra se dizer.
Em nosso silêncio está tudo aquilo que há de tão profundo e importante, nos faz calar e contemplar. No silêncio estão as raivas tão raivosas que nos assustam, os amores tão amados que nos doem. No silêncio estão nossas mais profundas compreensões sobre a vida. Aquelas que de tão profundas, tão claras e libertadoras, nos dão tamanha sensação de compreensão que desaparece toda e qualquer necessidade de compartilhar ou discutir, e assim, em uma aceitação que une corpo, mente e alma, o silêncio basta para contemplá-la e absorvê-la lentamente, no fundo do nosso ser, enquanto um pequeno relaxar dá uma sensação boa que deve ser aproveitada. Pois passará.
Se nada houvesse no silêncio, porque seria ele tão temido, tão assustador para aqueles que ainda não ousaram criar com ele certa intimidade? E mais uma vez, se nele nada houvesse, porque seria o silêncio tão valioso e querido para aqueles que já, com ele, se acertaram.
Pois como já disse uma vez por aí, quando mergulho fundo no oceano, um dos meus mais caros prazeres, percebo, do oceano, um barulho imenso, que se reverte, ainda assim, no mais profundo dos silêncios. Pois é só no silêncio que está todo o som do universo. Todo ele junto, numa sinfonia gigantesca, mas tão pura e tão harmoniosa que seu som nos é tão dócil aos ouvidos e à mente que nos é absolutamente silencioso.
Se te incomoda o silêncio é porque a mente ainda não te deixou acessá-lo. O silêncio é fundamental para a saúde. Não há diálogo sem o silêncio, como já bem disse eu por aqui.
E eu, por ter tanto em mente e tanto no coração, tomo a liberdade, pela pequena intimidade criada aqui com vocês leitores, para hoje, ao invés de discorrer muito sobre poucos pensamentos, compartilhar tudo aquilo que penso e sinto, mas fazê-lo através do pouco. Compartilho aqui com cada um de vocês, sempre tão queridos, a mais sagradas das minhas falas: o meu silêncio.
Publicado: Quarta-feira, 26 de maio de 2010 na minha coluna no www.itu.com.br
Já estou um dia atrasado com meu artigo aqui nesta coluna. Cada vez que busquei o que escrever, encontrei dentro de mim um profundo silêncio. Pode-se pensar: Será que nada tenho a dizer? Mas bem pouco o nada tem a ver com o silêncio. No silêncio, não reside o nada. Reside o tudo. Se no silêncio há tudo, porque quando estamos nele nada se diz? E a resposta me parece clara: Por que tudo, é muito pra se dizer.
Em nosso silêncio está tudo aquilo que há de tão profundo e importante, nos faz calar e contemplar. No silêncio estão as raivas tão raivosas que nos assustam, os amores tão amados que nos doem. No silêncio estão nossas mais profundas compreensões sobre a vida. Aquelas que de tão profundas, tão claras e libertadoras, nos dão tamanha sensação de compreensão que desaparece toda e qualquer necessidade de compartilhar ou discutir, e assim, em uma aceitação que une corpo, mente e alma, o silêncio basta para contemplá-la e absorvê-la lentamente, no fundo do nosso ser, enquanto um pequeno relaxar dá uma sensação boa que deve ser aproveitada. Pois passará.
Se nada houvesse no silêncio, porque seria ele tão temido, tão assustador para aqueles que ainda não ousaram criar com ele certa intimidade? E mais uma vez, se nele nada houvesse, porque seria o silêncio tão valioso e querido para aqueles que já, com ele, se acertaram.
Pois como já disse uma vez por aí, quando mergulho fundo no oceano, um dos meus mais caros prazeres, percebo, do oceano, um barulho imenso, que se reverte, ainda assim, no mais profundo dos silêncios. Pois é só no silêncio que está todo o som do universo. Todo ele junto, numa sinfonia gigantesca, mas tão pura e tão harmoniosa que seu som nos é tão dócil aos ouvidos e à mente que nos é absolutamente silencioso.
Se te incomoda o silêncio é porque a mente ainda não te deixou acessá-lo. O silêncio é fundamental para a saúde. Não há diálogo sem o silêncio, como já bem disse eu por aqui.
E eu, por ter tanto em mente e tanto no coração, tomo a liberdade, pela pequena intimidade criada aqui com vocês leitores, para hoje, ao invés de discorrer muito sobre poucos pensamentos, compartilhar tudo aquilo que penso e sinto, mas fazê-lo através do pouco. Compartilho aqui com cada um de vocês, sempre tão queridos, a mais sagradas das minhas falas: o meu silêncio.
Monday, June 07, 2010
Wednesday, June 02, 2010
Finalmente!
Anúncio de pasta de dentes sem "comprovado por dentistas"!
Ontem postei aqui uma crítica à campanha da Bic feita pela BorghiErh Lowe (Minha cunhadinha até ficou brava!). Pra fazer justiça à competência da agência, ainda que eu realmente não tenha gostado da campanha da Bic, parabéns para este anúncio que achou um caminho diferente pra anunciar creme dental. Sempre me pergunto se ninguém ia encontrar mais alternativas pra isso. Os anúncios são sempre brancos, assépticos, com dentistas bonitões ou gatíssimas usando avental e recomendando a marca. No máximo, pessoas sorrindo e dizendo: o meu dentista me recomendou...
Bom, aí vai um anúncio postado pelo meu amigo e eterno professor Luiz Fernado Garcia (ESPM), segundo dica da Paula Rizzo. E é da BorghiErh Lowe! Mandaram bem.
Anúncio de pasta de dentes sem "comprovado por dentistas"!
Ontem postei aqui uma crítica à campanha da Bic feita pela BorghiErh Lowe (Minha cunhadinha até ficou brava!). Pra fazer justiça à competência da agência, ainda que eu realmente não tenha gostado da campanha da Bic, parabéns para este anúncio que achou um caminho diferente pra anunciar creme dental. Sempre me pergunto se ninguém ia encontrar mais alternativas pra isso. Os anúncios são sempre brancos, assépticos, com dentistas bonitões ou gatíssimas usando avental e recomendando a marca. No máximo, pessoas sorrindo e dizendo: o meu dentista me recomendou...
Bom, aí vai um anúncio postado pelo meu amigo e eterno professor Luiz Fernado Garcia (ESPM), segundo dica da Paula Rizzo. E é da BorghiErh Lowe! Mandaram bem.
Tuesday, June 01, 2010
Eu acho que a BIC errou feio!
Se não teme a barata o homem da Bic, o anúncio é ainda mais absurdo. Fosse por medo sua ação, haveríamos ainda de aceitá-la.
A Bic está com uma nova campanha no ar. Assisti um dos anúncios e confesso que me assustei. Tem algumas linhas criativas que parecem desconectadas de toda a tendência mundial. Não estou falando da tendência da publicidade mundial. Estou falando da tendência de sociedade, e de valores que devem ser incentivados, enquanto outros devem ser desencorajados.
Anunciante e agência são empresas conhecidas pela sua qualidade, mas nesta, eu acho que erraram muito.
No anúncio, feito pela Borghierh Lowe (que é uma baita agência com todos os méritos, sem dúvida), a empresa claramente valoriza o homem que, frente a uma barata, pisa nela sem cerimônias. De certa forma ela diz ser este o homem que usa seu barbeador. Talvez a empresa queira associar o rosto barbeado à masculinidade. Talvez, contrapor a tendência entre os homens de deixar uma “barba mal feita”. Não sei, mas acho que o ato de esmagar um ser vivo sem, ao menos, lembrar-se de que uma barata é um ser, é péssimo. Ainda que uma barata desperte pouca compaixão na maioria da população, o ato de matá-la cruelmente ser associado a um ato positivo, pra mim, depõe fortemente contra a marca. Sem contar o desrespeito direto a públicos, como os budistas, por exemplo, que não aceitam a morte de nenhum animal por acreditarem na sacralidade da vida e na reencarnação.
Pra mim a Bic e a Lowe erraram feio. Propaganda de mau gosto, estrategicamente mal pensada e péssima associação de valores com a marca! Muito ruim! Odiei. E ainda querem mandar pra toda América Latina!! E ainda destacam que nenhuma barata foi maltratada durante a filmagem! E daí?! Estão incentivando o ato. Achei ruim mesmo.
Se não teme a barata o homem da Bic, o anúncio é ainda mais absurdo. Fosse por medo sua ação, haveríamos ainda de aceitá-la.
A Bic está com uma nova campanha no ar. Assisti um dos anúncios e confesso que me assustei. Tem algumas linhas criativas que parecem desconectadas de toda a tendência mundial. Não estou falando da tendência da publicidade mundial. Estou falando da tendência de sociedade, e de valores que devem ser incentivados, enquanto outros devem ser desencorajados.
Anunciante e agência são empresas conhecidas pela sua qualidade, mas nesta, eu acho que erraram muito.
No anúncio, feito pela Borghierh Lowe (que é uma baita agência com todos os méritos, sem dúvida), a empresa claramente valoriza o homem que, frente a uma barata, pisa nela sem cerimônias. De certa forma ela diz ser este o homem que usa seu barbeador. Talvez a empresa queira associar o rosto barbeado à masculinidade. Talvez, contrapor a tendência entre os homens de deixar uma “barba mal feita”. Não sei, mas acho que o ato de esmagar um ser vivo sem, ao menos, lembrar-se de que uma barata é um ser, é péssimo. Ainda que uma barata desperte pouca compaixão na maioria da população, o ato de matá-la cruelmente ser associado a um ato positivo, pra mim, depõe fortemente contra a marca. Sem contar o desrespeito direto a públicos, como os budistas, por exemplo, que não aceitam a morte de nenhum animal por acreditarem na sacralidade da vida e na reencarnação.
Pra mim a Bic e a Lowe erraram feio. Propaganda de mau gosto, estrategicamente mal pensada e péssima associação de valores com a marca! Muito ruim! Odiei. E ainda querem mandar pra toda América Latina!! E ainda destacam que nenhuma barata foi maltratada durante a filmagem! E daí?! Estão incentivando o ato. Achei ruim mesmo.
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