Bundinha de Nenê
Agora a briga é séria. Apesar de conter uma mensagem desastrosa em termos de relacionamento entre pais e filhos, o humor evidente faz a peça valer a pena.
Monday, May 31, 2010
Wednesday, May 26, 2010
A Centopéia caminhava sossegada.
Um Sapo, por pura brincadeira, perguntou-lhe:
Como coordena as pernas? Qual vai à frente de qual em cada momento?
Angustiada procurando saber a resposta correta,
a centopéia sentou-se no fundo de uma vala
e não pode mais caminhar.
(do livro "Let Life Flow - Ramesh Balsekar)
Um Sapo, por pura brincadeira, perguntou-lhe:
Como coordena as pernas? Qual vai à frente de qual em cada momento?
Angustiada procurando saber a resposta correta,
a centopéia sentou-se no fundo de uma vala
e não pode mais caminhar.
(do livro "Let Life Flow - Ramesh Balsekar)
Tuesday, May 25, 2010
Um Mergulho na Essência do Marketing
Hoje recebi um misterioso envelope. Um destes envelopes com plástico-bolha por dentro. Olhei o remetente: PADI – Professional Association of Diving Instructors. Dentro, um diploma dizia: Congratulations for you 10 years as a Pro Diver. Parabéns pelos seus dez anos como mergulhador profissional.
O diploma era uma bobagem, que eu mesmo poderia ter impresso na minha impressora. Me perguntei: Vale a pena mandar um envelope desde os EUA com um diploma desses? Minha resposta: Sim!
Quando comecei a mergulhar, 25 anos atrás, o Brasil tinha algo mais do que uma centena de mergulhadores. Hoje são dezenas de milhares. Todos filados a uma organização internacional, o que nos transforma em um número entre centenas de milhares. Tudo no muno globalizado e conectado é grande. Somos muito pequenos perante esta imensidão.
Hoje, quando recebi o feio diploma, me senti muito bem. Fiquei feliz por constatar eu este pequeno número que me tornei entre tantos, não se perdeu. Mesmo sabendo que algum sistema de computador deve ter gerado isto praticamente sozinho. Mesmo que seja apenas um sistema, eu estou lá na minha especificidade. Meus 25 anos embaixo d´água não se perderam e meus dez anos como profissional também não. Fiquei orgulhoso e feliz. Coloquei o tosco papel impresso na prateleira atrás da minha mesa e enchi o peito para exibi-lo. Se há algum tempo pensei em abandonar PADI, hoje esta decisão é mais difícil.
O mais importante: Como marketeiro lembrei de algo que também serviu para me acalentar a alma. Marketing ainda é sobre pessoas. Tocá-las. E para isto, basta uma pequena ação, no momento certo, no local certo, e seu efeito pode ser imenso. O mundo tá tão grande que todos precisam ajuda par manter sua individualidade. Num mundo tão grande, o pequeno pode ser gigante.
Conheça a PADI
Hoje recebi um misterioso envelope. Um destes envelopes com plástico-bolha por dentro. Olhei o remetente: PADI – Professional Association of Diving Instructors. Dentro, um diploma dizia: Congratulations for you 10 years as a Pro Diver. Parabéns pelos seus dez anos como mergulhador profissional.
O diploma era uma bobagem, que eu mesmo poderia ter impresso na minha impressora. Me perguntei: Vale a pena mandar um envelope desde os EUA com um diploma desses? Minha resposta: Sim!
Quando comecei a mergulhar, 25 anos atrás, o Brasil tinha algo mais do que uma centena de mergulhadores. Hoje são dezenas de milhares. Todos filados a uma organização internacional, o que nos transforma em um número entre centenas de milhares. Tudo no muno globalizado e conectado é grande. Somos muito pequenos perante esta imensidão.
Hoje, quando recebi o feio diploma, me senti muito bem. Fiquei feliz por constatar eu este pequeno número que me tornei entre tantos, não se perdeu. Mesmo sabendo que algum sistema de computador deve ter gerado isto praticamente sozinho. Mesmo que seja apenas um sistema, eu estou lá na minha especificidade. Meus 25 anos embaixo d´água não se perderam e meus dez anos como profissional também não. Fiquei orgulhoso e feliz. Coloquei o tosco papel impresso na prateleira atrás da minha mesa e enchi o peito para exibi-lo. Se há algum tempo pensei em abandonar PADI, hoje esta decisão é mais difícil.
O mais importante: Como marketeiro lembrei de algo que também serviu para me acalentar a alma. Marketing ainda é sobre pessoas. Tocá-las. E para isto, basta uma pequena ação, no momento certo, no local certo, e seu efeito pode ser imenso. O mundo tá tão grande que todos precisam ajuda par manter sua individualidade. Num mundo tão grande, o pequeno pode ser gigante.
Conheça a PADI
Não se deve acomodar na tristeza, nem desejá-la. Mas fugir dela nos faz menos do que somos. Pois somos também a tristeza. Ela deve ser vivida quando estiver, ainda que não cultivada. E no momento que assim for, ela dará espaço ao que há de vir. Que por destino e fluxo natural da vida, por vezes, é até alegria.
Tem Dois Neguinhos, Um Morava na Jamaica, E o Outro No Brasil
One Love!
One Heart!
Let's get together and feel all right.
Esta acontecendo uma quase Guerra civil na Jamaica. A situação, embora nos pareça distante, diz respeito a todos nós, e ao Brasil, no mínimo, como um sério alerta. Quando uma estrutura pública é comprometida com os ganhos individuais e não constrói uma nação, este é um risco constante. Um país com políticos enriquecidos vergonhosamente, injustiça crescente, insatisfação constante e políticas públicas mal planejadas que se perdem na corrupção, devolve prejuizos a todos Mas esta situação não se sustenta no longo prazo. Ela é frágil e inaceitável. Um Estado que não trabalha efetivamente pela população, numa relação de amor e idealismo, está sujeito a episódios perigosos e vergonhosos como este.
O Brasil está tão mergulhado nesta dicotomia quanto a Jamaica. O Rio, palco da maior e mais conhecida festa popular do mundo e cenário de algumas das mais belas músicas que gingam com seu ritmo, é também o berço do PCC. O berço de um Estado pouco comprometido, com intenções duvidosas e uma gestão, no mínimo, levemente dividida com a criminalidade.
Na Jamaica, a dicotomia ruiu em seu equilíbrio delicado, como já ruiu no Brasil tantas vezes. São Paulo e Rio foram palco de dias terríveis, onde a inversão do poder deu ao crime a gestão da ordem, ou da desordem. O Estado teve sua fraqueza cuspida em sua cara. As lojas foram fechadas e a cidade entrou e pânico, por não confiar no Governo.
Um traficante, ameaçado de extradição para os EUA, conclamou sua organização da enfrentar o Estado na Jamaica. E o Governo jamaicano está tendo muita dificuldade em reestabelecer a ordem. A situação é terrível, e a população paga.
Brasil e Jamaica têm muitas semelhanças. Quando estive lá, em boa parte me senti em casa. Nós, porém, vivemos um compromisso mais maduro, pois o Brasil está galgando posições importantes no contexto internacional, está clamando uma economia sólida e uma democracia madura. Não é só fazer pose na TV. Tem de governar direito e com compromisso interno!
O Estado do Brasil, nosso Governantes, precisam acordar!!! Sentem-se sobre o trono da roubalheira e da gestão mal feita e má intencionada, e um dia verão a navalha da criminalidade em seu próprio pescoço. E assim como acontece hoje na Jamaica, parte da população, cansada e desiludida, gritará para que cortem-lhe a cabeça e acabem com o pesadelo, como fez a rainha vermelha de Alice! Mas, caros governantes, isto aqui não é um sonho, nem um conto de fadas. Isto aqui é um país, cheio de riquezas, mas que precisa ser gerido com muita responsabilidade e a consciência de que os políticos e o povo não são duas entidades separadas. Somo um só. Todos no mesmo barco, e demos a vocês o leme. Tratem isto com responsabilidade e não o percam!
Jamaica - Estadao
Jamaica vive calamidade, e é um alerta para o Brasil
One Love!
One Heart!
Let's get together and feel all right.
O Brasil está tão mergulhado nesta dicotomia quanto a Jamaica. O Rio, palco da maior e mais conhecida festa popular do mundo e cenário de algumas das mais belas músicas que gingam com seu ritmo, é também o berço do PCC. O berço de um Estado pouco comprometido, com intenções duvidosas e uma gestão, no mínimo, levemente dividida com a criminalidade.
Na Jamaica, a dicotomia ruiu em seu equilíbrio delicado, como já ruiu no Brasil tantas vezes. São Paulo e Rio foram palco de dias terríveis, onde a inversão do poder deu ao crime a gestão da ordem, ou da desordem. O Estado teve sua fraqueza cuspida em sua cara. As lojas foram fechadas e a cidade entrou e pânico, por não confiar no Governo.
Um traficante, ameaçado de extradição para os EUA, conclamou sua organização da enfrentar o Estado na Jamaica. E o Governo jamaicano está tendo muita dificuldade em reestabelecer a ordem. A situação é terrível, e a população paga.
Brasil e Jamaica têm muitas semelhanças. Quando estive lá, em boa parte me senti em casa. Nós, porém, vivemos um compromisso mais maduro, pois o Brasil está galgando posições importantes no contexto internacional, está clamando uma economia sólida e uma democracia madura. Não é só fazer pose na TV. Tem de governar direito e com compromisso interno!
O Estado do Brasil, nosso Governantes, precisam acordar!!! Sentem-se sobre o trono da roubalheira e da gestão mal feita e má intencionada, e um dia verão a navalha da criminalidade em seu próprio pescoço. E assim como acontece hoje na Jamaica, parte da população, cansada e desiludida, gritará para que cortem-lhe a cabeça e acabem com o pesadelo, como fez a rainha vermelha de Alice! Mas, caros governantes, isto aqui não é um sonho, nem um conto de fadas. Isto aqui é um país, cheio de riquezas, mas que precisa ser gerido com muita responsabilidade e a consciência de que os políticos e o povo não são duas entidades separadas. Somo um só. Todos no mesmo barco, e demos a vocês o leme. Tratem isto com responsabilidade e não o percam!
Jamaica - Estadao
Monday, May 24, 2010
Uma Consultoria Ancorada no Fluxo
Num bate papo sobre nosso trabalho de consultoria resolvi expressar um olhar.
Achar que é uma estrutura e um conjunto de conteúdos que definem um trabalho bem preparado é uma herança da educação cartesiana e positivista. Eu discordo disso.
Eu acredito no fluxo. Um grupo, quando reunido, gera uma dinâmica absolutamente única, disponibilizando informações importantíssimas sobre a sua dinâmica e sua configuração como equipe, como organização e como indivíduos inseridos no coletivo. O grupo em seu espaço transubjetivo disponibiliza toda a cultura de uma organização, com todas suas potencialidades e seus principais entraves. Tudo está lá, assim como todo o céu está dentro de nossa pupila quando olhamos para cima. Acessar este conteúdo e conseguir traduzi-lo, demanda bastante preparação, formação e sensibilidade. Há um sério e grande trabalho prévio a ser feito, mas este trabalho diz mais respeito à preparação do indivíduo que conduzirá este trabalho, do que à estrutura do trabalho em si. A ilusão de que todo trabalho pode ser reproduzido igualmente, traçando-se os personagens, mas mantendo-se a metodologia, é mais uma determinação positivista que enfraquece o potencial de trabalho das empresas.
Para preparar uma intervenção há muito trabalho, mas dedico a maior parte dele a um olhar para mim mesmo. Para minha preparação para implementá-lo, minha serenidade para conduzi-los adequadamente, no meu alinhamento com os demais consultores e, principalmente, numa preparação interna profunda para oferecer a melhor qualidade de presença que eu puder.
Todos os modelos, metodologias de gestão e apresentações teóricas devem acompanhar o processo de transformação, mas não são, e jamais serão, a essência de um verdadeira trabalho de transformação.
(A SatyaWork é uma consultoria de gestão e inovação baseada na condução de processos de intervenção junto aos profissionais das organizações www.satyawork.com.br)
Num bate papo sobre nosso trabalho de consultoria resolvi expressar um olhar.
Achar que é uma estrutura e um conjunto de conteúdos que definem um trabalho bem preparado é uma herança da educação cartesiana e positivista. Eu discordo disso.
Eu acredito no fluxo. Um grupo, quando reunido, gera uma dinâmica absolutamente única, disponibilizando informações importantíssimas sobre a sua dinâmica e sua configuração como equipe, como organização e como indivíduos inseridos no coletivo. O grupo em seu espaço transubjetivo disponibiliza toda a cultura de uma organização, com todas suas potencialidades e seus principais entraves. Tudo está lá, assim como todo o céu está dentro de nossa pupila quando olhamos para cima. Acessar este conteúdo e conseguir traduzi-lo, demanda bastante preparação, formação e sensibilidade. Há um sério e grande trabalho prévio a ser feito, mas este trabalho diz mais respeito à preparação do indivíduo que conduzirá este trabalho, do que à estrutura do trabalho em si. A ilusão de que todo trabalho pode ser reproduzido igualmente, traçando-se os personagens, mas mantendo-se a metodologia, é mais uma determinação positivista que enfraquece o potencial de trabalho das empresas.
Para preparar uma intervenção há muito trabalho, mas dedico a maior parte dele a um olhar para mim mesmo. Para minha preparação para implementá-lo, minha serenidade para conduzi-los adequadamente, no meu alinhamento com os demais consultores e, principalmente, numa preparação interna profunda para oferecer a melhor qualidade de presença que eu puder.
Todos os modelos, metodologias de gestão e apresentações teóricas devem acompanhar o processo de transformação, mas não são, e jamais serão, a essência de um verdadeira trabalho de transformação.
(A SatyaWork é uma consultoria de gestão e inovação baseada na condução de processos de intervenção junto aos profissionais das organizações www.satyawork.com.br)
Friday, May 21, 2010
Roda Roda...Roda Baleiro, Atenção!
Se você é um comunicólogo e não conhece isso aqui. Tem que conhecer.
Este jingle marcou época e está na cabeça de qualquer ser humano normal que tenha nascido nos anos setenta. Ele é da época em que a comunicação era, sim, bem mais ingênua. E funcionava, porque o mercado e os jovens também eram. Aliás, éramos.
Aí vai um dos mais "sticky" jingles da história da publicidade brasileira.
E aí vai o anúncio mesmo:
Se você é um comunicólogo e não conhece isso aqui. Tem que conhecer.
Este jingle marcou época e está na cabeça de qualquer ser humano normal que tenha nascido nos anos setenta. Ele é da época em que a comunicação era, sim, bem mais ingênua. E funcionava, porque o mercado e os jovens também eram. Aliás, éramos.
Aí vai um dos mais "sticky" jingles da história da publicidade brasileira.
E aí vai o anúncio mesmo:
Thursday, May 20, 2010
Seus Sentimentos Não São Só Sensações
No final de 2009 fiz uma palestra na Expo CIEE.
Falamos de vários assuntos, compartilhando com um deliciosos público de 250 jovens ansiosos por entrarem em um mercado de trabalho em transformação. Transformação foi, aliás, o tema de que mais falamos. Hoje recebi um e-mail de um deles, perguntando se tinha algum material e lembrei que tem uns trechos na WEB. Aí vai um que fala de uma tema que considero um dos mais relevantes na mudança que o mundo precisa viver, e está vivendo.
No final de 2009 fiz uma palestra na Expo CIEE.
Falamos de vários assuntos, compartilhando com um deliciosos público de 250 jovens ansiosos por entrarem em um mercado de trabalho em transformação. Transformação foi, aliás, o tema de que mais falamos. Hoje recebi um e-mail de um deles, perguntando se tinha algum material e lembrei que tem uns trechos na WEB. Aí vai um que fala de uma tema que considero um dos mais relevantes na mudança que o mundo precisa viver, e está vivendo.
Wednesday, May 19, 2010
Tuesday, May 18, 2010
Uma liderança para o futuro?
A morte da certeza
Escrevi este artigo em 2007, mas ele só foi publicado em 2009 pela HSM.
Tenho mergulhado fundo, pra variar, na transformação das lideranças, ou, ao menos, na transformação das demandas sobre as lideranças. Lembrei deste artigo que considero ainda muito atual. Aí vai uma versão resumida:
Como definir o que deve ser uma liderança para o futuro?
Qualquer concepção sobre “como é” o mundo está se transformando. Tudo aquilo que consideramos certo ou errado está sendo revisto. A própria idéia de certo e errado deixa de fazer sentido. Não há mais algo que possa ser claramente definido como certo ou como errado. Não temos a capacidade de absorver a realidade em toda a sua complexidade e a definição de certo e errado não é fruto de uma percepção mais completa e ampla, mas sim, fruto de uma percepção limitada.
Se não há certo e errado, qual é então o caminho correto?
Se o líder é aquele que lidera, e lidera em direção a algo, pelo menos assim dita o entendimento mais comum sobre a liderança; para onde a liderança deve liderar se o caminho correto não pode ser definido?
Qual é a relação entre um líder e o futuro que se constrói? Ele constrói o futuro ou é construído por ele?
A maioria das visões sobre liderança indica que o líder deve ter uma visão de futuro, uma proposta. Será que o líder para um momento de transformação não é aquele que tem, acima de tudo, sua sensibilidade pronta para captar estas informações sutis? Ou talvez o líder seja aquele que tem a condição de conter a angústia humana, exacerbada pelo fato de vermos o futuro como uma incerteza que temos de aceitar.
Para nós, habitantes do mundo, o futuro gera ansiedade. Uma esperança misturada com angústia devido a um futuro desconhecido para o qual, muitas vezes, não sabemos como nos preparar. Será que o futuro nos surpreenderá em um estado de absoluto despreparo para ele?
Vejo que este estado latente no psiquismo de nossa sociedade dá espaço para muitos enganos. Falsos líderes, líderes que não nos guiam para o futuro, mas sim para um estado ilusório de certezas. São líderes porque têm seus muitos seguidores, mas não são líderes para o futuro. Não são líderes que nos possam guiar na transformação profunda que vivemos em tantos níveis. Líderes que permitam ser colocados em incerteza e dúvida, que lidem com suas fragilidades e nos ajudem a perceber as nossas, que são tantas. Não são líderes que estejam dispostos ao sacrifício de liderar e construir caminhos novos para lugares desconhecidos, onde o futuro realmente está se construindo.
Este ditos líderes, lideram para um caminho de ilusão. Baseados no afagar das angustias e na promessa de um caminho seguro. Um caminho que permita que as ansiedades se acalmem pela direção certeira que apontam e pela absoluta convicção nas verdades que indicam. Certeza que é para eles, às vezes uma mentira consciente, às vezes uma ilusão da qual são vítimas. Talvez sejam líderes do efêmero.
Não creio que oferecer certezas ajude-nos a nos preparar para o mundo. Acho que certezas, cada vez mais, nos tornam despreparados para atuar na construção do futuro que está se mostrando.
Quero louvar e assistir o surgimento dos novos líderes. Os líderes que entendem a unicidade do universo, nossa profunda interligação, nossa necessidade de aprender a lidar com as incertezas e que nos ajudem a nos conectar com o mundo natural do qual somos uma pequena parte. Uma parte frágil e assustada, talvez por nossa percepção sobre o quanto deixamos adormecer nossa conexão com este mundo. Estes líderes são muitos; são muitos de nós. Não é uma época de líderes únicos, é uma época de redes, de conexões, de líderes trabalhando juntos, liderando e sendo liderados pelos muitos caminhos possíveis para uma realidade mais profunda. Líderes que tenham sua maior força na percepção de que não são absolutos, não são soberanos, não são onipotentes. Líderes que mergulhem na profunda consciência de suas limitações, nadem no campo das emoções que nos conectam. Emoções que são muitas, ambivalentes, confusas e sinceras. E que devem ser o navegador para liderar.
E então, seus líderes são líderes para o futuro?
A morte da certeza
Escrevi este artigo em 2007, mas ele só foi publicado em 2009 pela HSM.
Tenho mergulhado fundo, pra variar, na transformação das lideranças, ou, ao menos, na transformação das demandas sobre as lideranças. Lembrei deste artigo que considero ainda muito atual. Aí vai uma versão resumida:
Como definir o que deve ser uma liderança para o futuro?
Qualquer concepção sobre “como é” o mundo está se transformando. Tudo aquilo que consideramos certo ou errado está sendo revisto. A própria idéia de certo e errado deixa de fazer sentido. Não há mais algo que possa ser claramente definido como certo ou como errado. Não temos a capacidade de absorver a realidade em toda a sua complexidade e a definição de certo e errado não é fruto de uma percepção mais completa e ampla, mas sim, fruto de uma percepção limitada.
Se não há certo e errado, qual é então o caminho correto?
Se o líder é aquele que lidera, e lidera em direção a algo, pelo menos assim dita o entendimento mais comum sobre a liderança; para onde a liderança deve liderar se o caminho correto não pode ser definido?
Qual é a relação entre um líder e o futuro que se constrói? Ele constrói o futuro ou é construído por ele?
A maioria das visões sobre liderança indica que o líder deve ter uma visão de futuro, uma proposta. Será que o líder para um momento de transformação não é aquele que tem, acima de tudo, sua sensibilidade pronta para captar estas informações sutis? Ou talvez o líder seja aquele que tem a condição de conter a angústia humana, exacerbada pelo fato de vermos o futuro como uma incerteza que temos de aceitar.
Para nós, habitantes do mundo, o futuro gera ansiedade. Uma esperança misturada com angústia devido a um futuro desconhecido para o qual, muitas vezes, não sabemos como nos preparar. Será que o futuro nos surpreenderá em um estado de absoluto despreparo para ele?
Vejo que este estado latente no psiquismo de nossa sociedade dá espaço para muitos enganos. Falsos líderes, líderes que não nos guiam para o futuro, mas sim para um estado ilusório de certezas. São líderes porque têm seus muitos seguidores, mas não são líderes para o futuro. Não são líderes que nos possam guiar na transformação profunda que vivemos em tantos níveis. Líderes que permitam ser colocados em incerteza e dúvida, que lidem com suas fragilidades e nos ajudem a perceber as nossas, que são tantas. Não são líderes que estejam dispostos ao sacrifício de liderar e construir caminhos novos para lugares desconhecidos, onde o futuro realmente está se construindo.
Este ditos líderes, lideram para um caminho de ilusão. Baseados no afagar das angustias e na promessa de um caminho seguro. Um caminho que permita que as ansiedades se acalmem pela direção certeira que apontam e pela absoluta convicção nas verdades que indicam. Certeza que é para eles, às vezes uma mentira consciente, às vezes uma ilusão da qual são vítimas. Talvez sejam líderes do efêmero.
Não creio que oferecer certezas ajude-nos a nos preparar para o mundo. Acho que certezas, cada vez mais, nos tornam despreparados para atuar na construção do futuro que está se mostrando.
Quero louvar e assistir o surgimento dos novos líderes. Os líderes que entendem a unicidade do universo, nossa profunda interligação, nossa necessidade de aprender a lidar com as incertezas e que nos ajudem a nos conectar com o mundo natural do qual somos uma pequena parte. Uma parte frágil e assustada, talvez por nossa percepção sobre o quanto deixamos adormecer nossa conexão com este mundo. Estes líderes são muitos; são muitos de nós. Não é uma época de líderes únicos, é uma época de redes, de conexões, de líderes trabalhando juntos, liderando e sendo liderados pelos muitos caminhos possíveis para uma realidade mais profunda. Líderes que tenham sua maior força na percepção de que não são absolutos, não são soberanos, não são onipotentes. Líderes que mergulhem na profunda consciência de suas limitações, nadem no campo das emoções que nos conectam. Emoções que são muitas, ambivalentes, confusas e sinceras. E que devem ser o navegador para liderar.
E então, seus líderes são líderes para o futuro?
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